quarta-feira, 4 de novembro de 2009

OSH Minimamente Invasiva




Já é indiscutível a importância da castração de gatos jovens,machos ou fêmeas,precocemente.Associando-se a isto,as técnicas cirúrgicas devem ser rápidas e seguras para o paciente,diminuindo o tempo de anestesia e favorecendo à recuperação no pós-cirúrgico.


Atualmente o corte cirúrgico de uma ovariohisterectomia eletiva mede em média 1 a 1,2cm,não devendo ultrapassar a 1,5cm.A cicatrização é facilitada e sem transtornos para a fêmea.


Abaixo,um vídeo interessante,onde uma colega mostra sua habilidade e destreza.Não precisa ser tão rápido,mas a técnica deve ser seguida.Abraços!





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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Rinotraqueíte:Patogênese,Tratamento e Profilaxia.

Um dos problemas mais comuns na clínica de felinos,a Rinotraqueíte, têm um diagnóstico relativamente fácil,mas com tratamento muitas vezes frustrante ,tanto para o clínico como para o proprietário.
O agente é um DNA-vírus,um Herpesvírus de apenas um sorotipo,com vários graus de virulência.É cosmopolita,muito prevalente em toda população felina.Pouco resistente ao ambiente,sendo susceptível à vários desinfetantes e detergentes comuns.É inativado em uma temperatura de 37 graus em apenas 3 horas,e a 56 graus em apenas 5 min.Entretanto em temperaturas mais baixas(menor que 25 graus Celsius) podem resistir em até um mês no ambiente.
A enfermidade é típica de gatos domésticos,mas o vírus já foi isolado em felinos selvagens como pumas,leões e guepardos.A transmissão geralmente é direta,através de secreções oronasais de animais infectados,em fase aguda ou em quadros latentes,com sintomas reincidivantes.O contágio por meio de ambiente contaminado só é significante em gatis,abrigos e recintos com uma densidade demográfica alta,onde constantemente são depositadas "cargas" virais infectantes por meio de espirros e secreções oculares.A gata em lactação pode transmitir para a sua prole através do contato direto.
A via-de-entrada do vírus é a mucosa oronasal e ocular.O agente se replica nas células epiteliais do trato respiratório e conjuntiva,causando uma necrose multifocal epitelial.A disseminação continua até os neurônios sensoriais,principlamente o ramo trigemial,onde ficarão em latência,podendo ser reativados por meio de uma corticoidoterapia,lactação,outras doenças e estresse(mudança ambiental).Os gatos doentes já começam a liberar partículas virais a partir de 24h do início do quadro clínico.
A sintomatologia é principalmente respiratória:espirros,descarga nasal serosa ou purulenta,salivação e mais raramente tosse e dispnéia,podendo desenvolver em casos mais graves uma broncopneumonia.Sintomas oculares:conjuntivites,ceratites ulcerativas(úlceras dendríticas),simbléfaro.Em casos menos comuns podem ser encontrados sinais neurológicos como ataxia e desequilíbrio;ulcerações na pele da face,mucosas e membros.
A rinite crônica é uma complicação muito comum da enfermidade.Alguns animais sofrem várias reincidivas periodicamente,outros aparentemente ficam eternamente com secreção nasal e coriza.Isto deve-se à ação destrutiva do vírus ao epitélio nasal,a um caráter imunomediado causado pela presença latente do vírus e a infecções secundárias por bactérias(Bordetella Bronchiseptica,Mycoplasmas,Clamydophila felis,Staphylococcus,Escherichia),fungos e vírus(Calicivírus)
O diagnóstico é basicamente sintomatológico,porém em casos crônicos comvêm a realização de culturas fúngicas e bacterianas das secreções nasais.O PCR é o teste mais recomendado para o diagnóstico final da Herpesvirose.A colheita da amostra é feita por meio de swabs e esfregaços da córnea,orofaringe ; e por meio de sangue total e biopsias.
O tratamento é fundamentado no suporte clínico.Animais enfermos tendem a parar de comer,ou entrar em hipoanorexia,portanto é importante mantê-los em fluidoterapia parenteral e também com alimentação forçada,via tubos de alimentação.Em casos brandos,um orexígeno pode resolver.As nebulizações são importantes,fluidificando as secreções,aliviando a obstrução nasal.Antibióticos são prescritos para o combate às infecções secundárias,podendo utilizá-los via nebulização também.Para as ocorrências oculares,pomadas ou colírios devem ser iniciados rapidamente,evitando-se assim ulcerações corneanas graves.O uso de antivirais ainda é muito controverso,diferindo na opinião de diversos autores.Geralmente a maior eficácia destes são em casos de conjuntivites,com o uso de produtos tópicos.Alguns antivirais orais humanos já foram utilizados,destaco o Fanciclovir,com trabalho já publicado(Malik,R.),com uma boa resposta em mais de 7 casos documentados.´
A vacinação e a quarentena são ,sem dúvida,o esteio da prevenção.Animais recém-adquiridos devem ser isolados por pelo menos 30 dias,verificando a possibilidade de o animal ter o vírus em latência.A imunidade ativa é pouco sólida,protege o adulto geralmente contra infecções mais graves,mas não impede o surgimento dos sintomas.A vacinação dos filhotes se dá a partir de 9 semanas de vida em média,com um reforço após 3 semanas.Recomenda-se uma revacinação anual e depois trianual,dependendo do ambiente e do desafio.Geralmente a imunidade passiva(colostro) termina com certa de 6 semanas de idade,assim,em determinados casos pode-se iniciar a vacinação mais cedo,principalmente nos casos de mães portadoras do vírus.´Os adultos que nunca receberam a vacina pode-se seguir o mesmo esquema para filhotes.Fêmeas matrizes devem ser vacinadas antes da cruza,aumentando a imunidade.Animais idosos e portadores FIV também devem ser vacinados,excetuando-se aqueles com doenças agudas intercorrentes.
O maior problema da Rinotraqueíte Felina é,novamente,em abrigos com muitos gatos,principalmente devido ao caráter portador dos animais infectados e à falta de um controle da entrada de novos animais.

sábado, 26 de setembro de 2009

Linfoma Alimentar


O linfoma é a neoplasia maligna mais comum nos felinos.Acredita-se que cerca de 1/3 das malignidades ocorridas em gatos sejam linfomas.Dentre estas,o tipo alimentar é o mais prevalente e talvez o de diagnóstico mais difícil.

Há vários fatores de risco reportados,com vários estudos concluídos.Betone(2002) comprovou que gatos em convívio com humanos fumantes,possuem um risco relativo até 3 vezes maior de desenvolver a neoplasia,principalmente pelo hábito de lamberem-se,ingerindo assim, partículas cancerígenas da fumaça.

Dietas comerciais foram questionadas,mas não há evidências correlacionadas.

Doenças inflamatórias intestinais crônicas também foram associadas com o a gênese do linfoma e animais que desenvolveram sarcomas em locais de injeção parecem ter um risco relativo também aumentado.

A associação com a infecção pelo vírus da FeLV não parece ser importante na origem deste tipo de linfoma,mas a presença do vírus prejudica bastante o prognóstico.

A forma da malignidade pode ser focal ou difusa.O linfoma pode acometer somente áreas intestinais,como também estômago,linfonodos mesentéricos e fígado.Outros orgãos do sistema digestório podem ser afetados,como a boca,esôfago e pâncreas.

A sintomatologia pode ser aguda,principalmente se houver um obstrução da parede intestinal por massas tumorais,ou até perfuração,com sinais de peritonite séptica.Há apresentações crônicas,com uma perda de peso gradativa,vômitos e diarréia(nem sempre),letargia e pelame de má qualidade.Poliúria e polidipsia são relatadas,comumente em casos de hipercalcemia paraneoplásica.Na palpação pode ser possível sentir alças intestinais "intumescidas",massas abdominais e linfonodos palpáveis.

Gatos machos e geriátricos,pêlo curto domésticos ,são os mais afetados estatisticamente.

Muitas doenças podem causar uma resposta inflamatória infiltrativa na parede intestinal semelhante ao linfoma alimentar,juntamente com uma sintomatologia parecida.Portanto o diagnóstico diferencial é amplo:Doença Inflamatória Intestinal,infecções crônicas intestinais por Micobactérias,Helicobacter,Giardia,Histoplasma,Toxoplasma;alergias alimentares e idiopáticas que podem causar enterite linfocítica-plasmocítica;insuficiência renal e pancreatite.

O diagnóstico é baseado pelo histórico,exame físico e exames laboratoriais(hemograma completo,perfil bioquímico,teste t4,FIV/FeLV,urinálise) e de imagem,que é fundamental,pois 90% dos gatos com linfoma alimentar possuem alguma normalidade no ultrasom.Alterações na espessura das paredes intestinais,linfadenopatia,massas intestinais,infiltrações difusas no fígado e baço podem ser encontradas.

A biópsia é requerida para a conclusão diagnóstica.É importante que o paciente não esteja sob corticoidoterapia para não prejudicar a histopatologia.A coleta por endoscopia não é a ideal,embora seja pouco invasiva,depende muito da experiência do profissional e a amostragem pode não ser suficiente ,pois o recomendado é colher secções completas ,com todas a s camadas da parede intestinal,o que só é possível com laparotomia.A laparotomia têm a vantagem de localizar lesões,corrigir obstruções e retirar massas abdominais quando possível.O problema é a estabilidade do paciente e a segurança anestésica.

O tratamento é quimioterápico.Vários protocolos são indicados,mas não foi comprovado uma maior ou menor eficácia entre eles.Destaco o protocolo simples instituído pelo Dr.Wilson Heather,Universidade do Texas,que prescreve uma pulsoterapia com Clorambucil a cada 2 semanas,juntamente com prednisona diária.Relata que o prognóstico é bom,com expectativa de 18 a 24 meses.


P.S:Disponibilizo este trabalho do Dr.Wilson para os colegas que interessarem.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ausente(um curto período)


Informo a todos os amigos que acompanham este nosso blog,que me ausentarei por cerca de 30 dias,por motivos profissionais apenas.Logo,logo publicarei novidades.Mas não deixem de participar com seus valiosos comentários.Muito obrigado!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Participação do Estresse na Cistite Interticial e o Uso de Ferormônios Sintéticos como Coadjuvantes na Terapia


O caráter neurogênico da cistite interticial felina já é quase um consenso.Sabe-se que o distúrbio é bem semelhante à cistite humana e que em ambas ,tanto em gatos como em humanos,as situações estressantes agravam ou desencadeiam os sintomas.
Alterações no diário do felino como viagens,hospedagens,internamentos,mudanças no ambiente físico,disposição e localização de liteiras,entrada de novos animais ou humanos,tudo isso pode ocasionar o disparo de um quadro de cistite.
Já está comprovado que felinos que sofrem de cistites reincidivantes, possuem um maior número de fibras nervosas simpáticas nas camadas mucosa e muscular da bexiga.Além de um aumento da noradrenalina circulante, tanto em repouso como em estados excitatórios.Estas fibras eferentes simpáticas interagem com fibras sensoriais da mucosa vesical,responsáveis pela liberação da substância P ,que é um neuropeptídeo capaz de causar ativação e degranulação de mastócitos.Estes ativados,liberam compostos inflamatórios e vasoativos,resultando nos sintomas clássicos de doença do trato urinário inferior dos felinos,como a hematúria e estrangúria.
Portanto,todo tipo de melhora no manejo e no bem-estar do felino que sofre desta enfermidade é bem-vinda.Aumentando a chance de sucesso terapêutico e diminuindo as reincidivas.
A formulação sintética do hormônio facial felino(Feliway) foi desenvolvido para diminuir a ansiedade relacionada ao comportamento dos gatos.Situações como marcação territorial por urina ou arranhaduras são reduzidas,principalmente por diminuição da vigilância do felino,em consequência de uma percepção mais "amigável" de seu ambiente.Esta redução da vigilância provavelmente esteja relacionada à diminuição da ativação do sistema nervoso simpático,assim,o ferormônio pode ser utilizado para gatos com cistite interticial,reduzindo esse impacto do estresse sobre o desarolho da doença.Ele é um componente valioso dentro da terapêutica desta enfermidade,muitas vezes associando-o com um enriquecimento ambiental.
É necessário destacar a multifatorialiedade da cistite interticial felina,seu tratamento deve ser baseado nisto.Outras medidas como mudança na consistência da dieta,fármacos antidepressivos,anti-inflamatórios e GAG's, podem ser integradas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Educativo:Como administrar comprimidos a seu gato

Este vídeo foi "doado" por uma colega,Dra Virgínia.Bem educativo e bem editado por uma outra colega veterinária Rita Ericson.Poderá resolver muitos problemas dos nossos clientes.
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domingo, 23 de agosto de 2009

Toracocentese e Efusões Pleurais

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Este vídeo feito pela equipe do ilustre Dr.Alceu(UFSM)nos mostra a simplicidade de um procedimento que pode salvar muitos dos nossos felinos.

A toracocentese e drenagem pleural são procedimentos emergenciais,terapêuticos e diagnósticos.Devem ser realizados antes mesmo de a radiografia ou de um exame clínico mais apurado.A manipulação do animal deve ser a mais cuidadosa possível e é importante a disponibilidade de oxigênio direto.

O material necessário é básico:Drena-se líquido pleural com um scalp 21 ou 23,com auxílio de uma torneira de três vias e uma seringa de 20ml.Pode-se utilizar também cateter ou cânula mamária ao invés de agulha,diminuindo assim o risco de laceração pulmonar.O ideal é que se realize a tricotomia e assepsia ampla da região entre o sétimo e oitavo espaço intercostal.O gato deve ser erguido pelos membros anteriores e a punção deve ser feita entre estes espaços,abaixo da junção costo-condral.A agulha deve ser introduzida em um ângulo de 45 graus,no meio do espaço intercostal,evitando-se os vasos que ficam próximos à borda posterior de cada costela.Logo depois,acopla-se a torneira juntamente com uma seringa,prosseguindo com a aspiração do líquido.O exame laboratorial da efusão nos guirá para o diagnóstico e tratamento.É colocado uma amostra do líquido em um tubo com EDTA,para a análise citológica e protéica,e em um outro sem EDTA,para o estudo bioquímico e para cultura de microorganismos.

Nos casos em que o derrame pleural é muito intenso,em que é necessário várias punções seguidas,o recomendado é a colocação de um tubo torácico.Diferentemente da toracocentese,a toracostomia geralmente necessita de sedação/anestesia.Pode-se utilizar uma indução com dissociativos e a seguinte manutenção com anestésicos voláteis,sempre precedida de oxigênio 100%.É criado um túnel,com o auxílio de uma pinça hemostática,iniciando-se no décimo espaço intercostal até o sétimo,penetrando na cavidade torácica.A seguir o tubo é fixado por sutura em "malha chinesa" e vedado por uma torneira de três vias.A efusão é aspirada 3 a 4 vezes ao dia e o controle da dor também é necessário.Dependendo da causa do derrame,o tubo deve ser mantido por muito tempo e os cuidados com a assepsia devem ser intensos.

As efusões pleurais se formam quando determinados fatores aumentam a formação do líquido pleural ou diminuem a sua absorção.Normalmente existe cerca de 1,5ml de líquido entre as duas pleuras.A parietal o produz e a pleura visceral o absorve.Portanto,disfunção como a insuficiência cardíaca congestiva,aumenta a pressão hidrostática dos capilares parietais,aumentando a formação de derrame pleural,sobrepondo a capacidade de absorção da pleura visceral.

Em hipoproteinemias,devido à queda da pressão colóido-osmótica,ocorre um escape maior de líquidos para a cavidade pleural,além de uma diminuição da absorção.

A diminuição da absorção também pode estar relacionada à distúrbios linfáticos,como obstruções por tumores do ducto torácico ou linfonodos.A hipertensão dos capilares devido à insuficiência cardíaca direita também causa efeito semelhante na drenagem natural do líquido pleural.

Processos inflamatórios ,além de aumentarem o fluxo sanguíneo local,provocam um aumento na permeabilidade capilar,formando efusões ricas em proteínas,com derrame pleural abundante.

O derrame sanguíneo(hemotórax) geralmente não é de origem pleural.Sua causa deve ser investigada.Traumatismos,coagulopatias e neoplasias intra-torácicas são as origens mais comuns.É importante salientar que a toracocentese só deve ser realizada em casos extremos,porque a tendência é que a hemorragia seja autolimitante,devido à pressão intrapleural e se for tratado conservadoramente o sangue pode ser reabsorvido.Uma outra possibilidade é a autotransfusão,retirando-se o sangue da efusão e reaplicando no paciente.

O piotórax e o quilotórax são tipos de efusões em que a colocação do tubo e aspiração contínua seja mais indicada.No caso de secreção purulenta,a lavagem e irrigação da cavidade pleural é fundamental,visto que só a antibioticoterapia sistêmica não é suficiente.