sábado, 31 de dezembro de 2011

Modificação Ambiental Multimodal para Tratamento da Cistite Intersticial Felina



Há uma grande similitude entre a cistite intersticial humana e a felina,onde em ambas é visto uma piora dos sintomas em situações de estresse e mudanças ambientais.Tanto em gatos,como em humanos, a quantidade de fibras nervosas sensoriais na mucosa vesical está aumentada,assim como a quantidade de mastócitos,responsáveis pela liberação de histamina,também estão em maior número na bexiga desses indivíduos que sofrem da doença.
Gatos que apresentam repetidamente sinais como:dificuldade e dor ao urinar,periúria(micção em lugares inapropriados),hematúria(sangue na urina),sem a presença de cálculos urinários ou infecção bacteriana urinária,são fortes suspeitos de sofrerem de Cistite Interticial.
Acredita-se que o papel do ambiente é de fundamental importância no desenvolvimento da doença.Animais que vivem confinados em lugares pequenos,monótonos e previsíveis possuem um risco maior em desenvolver a cistite,associado à predisposição genética do indivíduo.Assim como ambientes com muitos gatos,aonde a competição por espaço é aumentada e a possibilidade de conflitos é maior.
Várias enfermidades foram associadas ao estresse ambiental,como problemas comportamentais,obesidade,diabetes,hipertireoidismo e urolitíases.
Na verdade,qualquer mudança no dia-a-dia do gato pode iniciar ou reincidivar uma cistite intersticial.Em um estudo,foi demonstrado o aumento do número de casos de hematúria e estrangúria em gatos na Califórnia,após um terremoto.(Caston,1973)
A "MEMO",ou Modificação Ambiental Multimodal é um conjunto de medidas ou recomendações ao proprietário de gatos,a fim de diminuir a probabilidade da ativação do sistema de resposta ao estresse do felino.Baseia-se na educação do proprietário,mudanças na relação entre o gato e seus contactantes e outros animais do ambiente,alterações na alimentação,evitando-se situações ou fontes de estresse,além de aumentar a ingestão de água,melhorar a limpeza e o manejo das liteiras,sempre procurando mantê-las em locais calmos e seguros para o gato , montar estruturas e mobílias altas para que o felino possa escalar e "abrigar-se",aonde eles possam "vigiar" o ambiente,sentindo-se seguros.Tentar resolver os conflitos entre os indivíduos que coabitam o lugar,identificando as "fontes" de estresse e aumentar a interação entre o dono e o gato.
Em um estudo (Buffington et al,2006),46 gatos com histórico de cistite intersticial foram submetidos a MEMO,dentre estes,cerca de 33 animais apresentavam comportamento medroso ou inseguro,e cerca de 25% eram agressivos.A grande maioria não estava sendo tratado com nenhum fármaco.O acompanhamento foi aproximadamente por 10 meses,onde 75% dos animais não apresentaram mais sinais de Cistite Interticial,como hematúria ou polaciúria.Foi observada também uma melhora em outros quadros clínicos associados ao estresse,como problemas respiratórios(tosse e espirro) e dermatites.
Os autores relataram que a MEMO deve ser instituída antes mesmo da terapia farmacológica,ressaltando que nem medicamentos e nem mudança na alimentação são satisfatórias quando utilizadas sem o enriquecimento ambiental.
É importante salientar ao proprietário o caráter multifatorial da doença e que a resposta ao tratamento é totalmente individual,dependente de cada caso.No site www.indoorcat.org encontram-se importantes instruções aos proprietários para ajudar no enriquecimento ambiental.

Um grande abraço e ótimo 2012!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fisioterapia e Reabilitação no Paciente Felino*


Fisioterapia e Reabilitação do Paciente Felino

Fisioterapia e Reabilitação é um campo que vem crescendo rápido na medicina veterinária. Pacientes felinos na fisioterapia e reabilitação são ainda em número menor quando comparado com os cães. Esta pode ser uma consequência da falsa crença de que os gatos não são tratáveis com os métodos tradicionais de fisioterapia por causa do seu comportamento.

Exame clínico e fisioterápico

Antes de iniciar um programa de fisioterapia, um exame clínico completo deve ser realizado. Não se deve iniciar um programa de reabilitação sem o diagnóstico clínico. Convém salientar que mesmo o animal sendo encaminhado por um clínico geral ou ortopedista, se faz necessário o exame fisioterápico por parte do fisioterapeuta. Além disso, deve ser dada atenção importante para o exame físico e métodos de imagem para aprimorar ainda mais o diagnóstico.

- Condição muscular geral, simetria e tônus: Gatos mais velhos ou gatos que foram submetidos a tempo prolongado de imobilização, como gatos presos em gaiolas e com movimentos restritos, muitas vezes mostram atrofia e diminuição da força muscular. A massa muscular do gato pode ser medida com o auxílio de uma fita métrica, mas é de grande importância que se faça a medida de circunferência do membro sempre no mesmo local. Nos casos de distúrbios neurológicos, o tônus muscular pode estar diminuído ou aumentado. Espasmos musculares dolorosos que ocorrem secundariamente a distúrbios ortopédicos e neurológicos podem também ser detectados durante a avaliação.

- Amplitude de movimento passivo das articulações: É o meio mais confortável que uma articulação pode ser movida por meio de um fisioterapeuta sem resistência ou sinais de desconforto. A amplitude de movimento pode ser medida com um goniômetro.

Recomendações especiais quanto ao paciente felino na fisioterapia:

- Em geral, os gatos são menos tolerantes do que os cães e, portanto, é mais difícil de realizar exercícios com eles.

- Os gatos são relativamente impacientes e ficam rapidamente entediados. Portanto, o tempo de sessão deve ser o mais curto possível além de oferecer uma maior variedade de atividades.

- As características comportamentais dos gatos, como jogar e caçar, podem ser usadas para desenvolver exercícios ativos.

- Nem todos os tratamentos são tolerados por todos os gatos. Alguns gatos gostam de eletroterapia ou tratamento de ultrassom, outros não. Portanto, cada tratamento deve ser introduzido com cuidado para evitar lesões no paciente e terapeuta.

- Alguns gatos toleram a hidroterapia. No entanto, para a maioria dos gatos este procedimento causa estresse elevado e deve ser utilizado apenas como última opção.

Técnicas fisioterápicas

Massagem

A massagem tem sido comprovada como uma modalidade de tratamento eficaz em várias condições e é frequentemente recomendada para a reabilitação de pequenos animais. Existem diferentes técnicas de massagem descritas na literatura.

As massagem são indicadas para a melhoria dos espasmos musculares secundárias a lesões músculo-esqueléticas, aumentando o fluxo sanguíneo, aumentando a elasticidade dos tendões e ligamentos, melhora articulações e a função muscular, e evitar aderências do tecido após cirurgia.

Uso de Calor *

É útil nos casos de osteoartrite, dor devido a espondilartrose, lesões de disco ou outras doença da coluna vertebral, espasmos musculares, e para preservar tecidos, como músculos e tendões para o exercício.

Uso do Frio (Crioterapia)*

É útil para diminuir a dor, edema e processo inflamatório após cirurgia e exercícios e reduz o inchaço e dor aguda nos casos de osteoartrite, por exemplo.

*Nunca utilize as técnicas de calor ou frio sem recomendação veterinária, visto que existem contra- indicações para tais casos e tempos superiores ao recomendado podem causar queimaduras.

Ultrassom terapêutico

É comumente usado para aquecimento de tecidos profundos para melhorar a extensibilidade dos tecidos conjuntivos, para diminuir a dor e espasmos musculares, e para promover a cicatrização dos tecidos e melhorar a qualidade do tecido cicatricial.

No modo contínuo há uma predominância dos efeitos térmicos, sendo utilizado principalmente para aquecimento antes do alongamento do tecido. No modo pulsado os efeitos térmicos são mínimos, mas pode ocorrer uma variedade de efeitos com base na fase de reparação tecidual incluindo aceleração do processo inflamatório, maior proliferação de fibroblastos, resistência a tração etc.

É indicado para aumento da temperatura antes do alongamento, diminuição da dor, tratamento de tendinite calcificante e aceleração de processos de cicatrização de feridas em geral.

Laser Terapêutico

Os lasers terapêutico emitem, no máximo, 1mW (miliwatt) de energia; portanto, seus efeitos são biomoduladores e não-térmicos. As reações fotoquímicas geradas atuam no metabolismo celular. Podem ser utilizados próximo a fase aguda por não produzirem aumento de temperatura.

Suas principais indicações são cicatrização de feridas, tratamento de áreas com inflamação e edema, cicatrização tendínea, alívio da dor, além do tratamento de afecções osteoarticulares e lesões de nervo periférico.

Magnetoterapia

Geralmente são utilizados campos magnéticos pulsáteis: onde a forma de energia é obtida através de uma corrente elétrica que passa por um condutor em espiral, criando o campo magnético ao redor.

Esta terapia é indicada principalmente para tratamento de fraturas de difícil união (podendo ser usado mesmo na presença de gesso e implantes metálicos), pseudoartrose, artrodese que falharam, osteoartrose, tendinites, periostites, feridas crônicas, dentre outras patologias.

Eletroterapia

É uma modalidade fisioterápica útil e na maioria das vezes é possível em gatos, na verdade, muitos gatos gostam dessa modalidade. Os seus dois usos mais comuns utiliza a estimulação elétrica para fortalecimento muscular e controle de dor.

É indicado para controle de dor, melhoria de espasmos musculares, prevenção de atrofia muscular e fortalecimento muscular em geral.

Exercícios terapêuticos

É uma das partes mais importante no processo de reabilitação. O protocolo do programa de reabilitação depende das necessidades de cada paciente e deve assegurar que os exercícios podem ser realizados de forma segura sem o risco de agravar os sintomas. Os exercícios devem ser selecionados de acordo com a fase de reparação tecidual, e portanto, o fisioterapeuta deve entender da patologia subjacente, do progresso esperado e suas considerações biomecâmicas.

Geralmente os exercícios terapêuticos tem diversas metas nestas se incluem: melhoria da amplitude de movimento, aumento da massa muscular e força, condicionamento e resistência, uso dos membros, melhoria coordenação e propriocepção e melhora do desempenho e função diária.

Os exercícios mais comuns são a movimentação passiva, alongamento, Exercícios isométricos, brincadeiras com laser, brinquedos diversos e petiscos, exercícios de carrinho de mão e de dança.

Dentre as patologias mais conhecidas que podem ser recomendadas o emprego da fisioterapia se destacam a osteoartrite, controle da dor em geral (aguda ou crônica), ruptura de ligamento cruzado cranial, luxação de patela, displasia coxofemoral (principalmente nas raças conhecidamente predispostas como o Maine Coon), doença do disco intervertebral (hernia de disco), reabilitação ortopédica e neurológica, não uniões ósseas, cicatrização de feridas, dentre outras. Além disso, a fisioterapia pode ser aliada a exercícios em animais obesos para emagrecimento e usada em animais idosos para melhorar a qualidade de vida.

Cabe ressaltar que todo tratamento fisioterápico deve ser feito por profissionais habilitados visando o melhor protocolo para cada caso e observando com atenção as indicações e contra-indicações de cada método. Hoje em dia, com o avanço na medicina veterinária e com a crescente especialização dos profissionais podemos dispor aos animais uma maior longevidade e qualidade de vida.

*MV Alison André Ximenes Soares

Pós-graduando em Fisioterapia e Ortopedia Veterinária pela UNIP/IBRA

Trabalha com Fisioterapia e Reabilitação em Pequenos Animais atendendo em domicílio e em clínicas particulares na cidade de Fortaleza-CE

Contato: (85) 9699-1547 – aa_xs@hotmail.com

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

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domingo, 23 de outubro de 2011

*Enfermidade do Trato Urinário Inferior dos Felinos:Um guia para proprietários


A doença do trato urinário inferior dos felinos(DTUIF) consiste numa variedade de condições que afetam a bexiga e uretra dos gatos.Geralmente os gatos que são afetados por esta enfermidade apresentam dificuldade e dor ao urinar,aumentam a frequência em urinar e também pode haver sangue na urina.Eles tendem a aumentar a lambedura na região do pênis ou vagina e podem apresentar alterações no comportamento,como micção fora da caixa-de-areia,preferindo superfícies frias e lisas,como azulejos e banheiros.
O problema pode afetar gatos de todas as idades,entretanto,animais de média idade,com sobrepeso,sedentários,que alimentam-se de dieta seca,sem acesso externo,são os mais comumente afetados.Alguns fatores como estresse emocional ou ambiental,famílias com vários gatos,mudanças bruscas no dia-a-dia do gato,aumentam o risco do desenvolvimento da DTUIF.
Os principais sintomas são:Esforço para urinar,mantendo-se em posição agachada,sem expelir nada de urina,o que muitas vezes pode ser confundido com constipação ou dificuldade em defecar.Urinar em pequenas quantidades e frequentemente;Dor e choro ao urinar;Lamber-se excessivamente na região genital;Sangue na urina e micção em lugares inapropriados.
Um estágio mais grave da DTUIF é a obstrução uretral,que é o fechamento da passagem de urina da bexiga até o exterior,cujo os sinais são semelhantes,porém o gato não urina quase nada e mantêm-se mais moribundo e dolorido.A obstrução acontece mais em machos,visto que a uretra da fêmeas é de diâmetro mais largo.É importante perceber um quadro de obstrução uretral rapidamente,pois o animal sempre merecerá um tratamento emergencial.
As causas são variadas:Obstruções por cálculos,microcálculos ou" plugs",estes últimos são formados na bexiga pela deposição de microcristais e material inflamatório protéico,o que formam verdadeiros tampões na uretra;Cistite Idiopática Felina,que é uma alteração inflamatória na parede da bexiga,muito associada ao estresse,onde ocorre uma inflamação generalizada na mucosa do orgão,com sangramento,dificultando a contração e a eliminação da urina.Infecções urinárias não são comuns,devido às particularidades da urina do felino,como a alta densidade e osmolaridade,que impede o crescimento de bactérias.Porém,em animais idosos ou com problemas renais devem ser consideradas.
O tratamento depende da causa da DTUIF,mas consiste principalmente em anti-inflamatórios,mudança de manejo ambiental e dietético, e muita hidratação.Em casos mais graves como os obstrutivos, o animal poderá ser internado para sondagens e soroterapia intensiva.Em alguns quadros mais graves e repetitivos,poderá ser necessário um procedimento cirúrgico denominado "uretrostomia",que é uma nova abertura uretral,com amputação peniana.É muito importante levar o gato rapidamente ao veterinário,evitando dar medicações,pois qualquer erro ou demora as consequências podem ser fatais.
Existem algumas formas de prevenir e tentar diminuir as crises ou o aparecimento desta enfermidade,que consistem em medidas simples,como:Aumentar a frequência de alimentação,em pequenas quantidades diárias;Consultar a um médico-veterinário para conhecer a dieta mais indicada para seu felino;Preferencialmente oferecer dietas úmidas(enlatadas);Água fresca e abundante em várias partes do ambiente;Quantidade de liteiras compatível e suficiente para todos os gatos da casa,preferencialmente uma a mais que o número de habitantes.Estas caixas-de-areias devem permanecer limpas e em lugares tranquilos e seguros.Deve-se evitar mudanças ambientais bruscas e minimizar todo o tipo de estresse.O enriquecimento ambiental é também importante,devendo-se proporcionar alternativas,jogos e atividades para os animais.

*Baseado no informativo da American Veterinary Medical Association(www.avma.org)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cardiomiopatia Hipertrófica Felina-Quando e com quê tratar?


A cardiomiopatia hipertrófica é a disfunção cardíaca mais comum na clínica de felinos.É definida como uma hipertrofia do ventrículo esquerdo,na ausência de outras doenças sistêmicas predisponentes,como o hipertireoidismo.A hipertrofia pode ser generalizada ou focal.
A doença é determinada geneticamente,principalmente no Persa,Maine Coon e possivelmente Ragdoll,mas também é comum em Pêlos Curtos Domésticos.Acredita-se que a transmissão é autossômica dominante,que ocasionaria uma alteração genética na Beta-miosina do músculo cardíaco.
A sintomatologia pode ser discreta,sopro cardíaco de grau variável,ritmo de galope,arritmias.Mas muitas vezes o gato apresentará quadros emergenciais,como dispnéia,cianose,efusão pleural,claudicação,paresias e paralisias,devido a tromboembolismos sistêmicos.
O tratamento é baseado principalmente em fármacos como diuréticos,inibidores de ECA,bloqueadores de cálcio,beta-bloqueadores e o uso de ácido acetilsalicílico,heparina,clopridogrel para a prevenção do tromboembolismo.Entretanto ,não há ainda um consenso dos reais benefícios de cada medicamento,em determinadas fases da doença,e principalmente se o tratamento consegue inibir o progresso da hipertrofia,aumentando a sobrevivência do paciente felino.
Um artigo muito interessante, publicado este ano(Rishniw,M. , Pion,D.P.),no Journal of Feline Medicine and Surgery,reuniu uma pesquisa feita nos Estados Unidos entre cardiologistas veterinários e não-cardiologistas,onde respondiam um questionamento de quando começavam a tratar a CMH,com quê, e porquê usavam determinada terapia.A doença foi dividida clinicamente em várias fases,em dois grupos:Doença Subclínica,apenas com murmúrio,com hipertrofia simétrica a assimétrica,de média a moderada do ventrículo esquerdo;e a Doença Clínica,com edema pulmonar,taquicardia e dispnéia,com alterações hipertróficas severas e a presença de trombos.
Nesse estudo,cerca de 50 a 70% tratam a enfermidade nas fases iniciais,quando há a presença de sopro e hipertrofia moderada.Os principais fármacos utilizados foram:Inibidores de ECA,bloqueadores de canais de cálcio e beta-bloqueadores,sendo que 27% destes tratam com mais de um fármaco.
Nas fases mais graves da doença subclínica,com um marcado aumento também de átrio esquerdo,a grande maioria(98%) já inicia a terapia,inclusive com medicação antitrombótica(84%),utilizando a aspirina(66%) ou o clopidogrel(33%).
Na doença clínica,com a sintomatologia clássica de dispneia,taquicardia e edema,o tratamento é prescrito por 100% dos entrevistados,onde foi prescrita rotineiramente a furosemida associada com um outro fármaco,onde 98% também prescreve uma terapia antitrombótica.
Os beta-bloqueadores foram os mais indicados em todas as fases da doença em comparação com os bloqueadores de canal de cálcio(diltiazen).
As principais fundamentações para a prescrição entre os entrevistados foram a prevenção do tromboembolismo(em todas as fases) e inibição da progressão da doença somente nas fases iniciais.
A maior parte dos clínicos justificam a prescrição do tratamento por experiência favorável com o protocolo no controle do progresso do quadro,pela recomendação de especialistas e consensos,pela extrapolação de estudos em outras espécies ou até por dar uma "satisfação" ao proprietário,devido à pressão dos mesmos.
O que observou-se também é que ,mesmo a maioria acreditando que a terapia pode ser benéfica nas fases iniciais,o tratamento mais agressivo,com associação de fármacos,só é instituído nas fases mais graves.
O tratamento deve ser iniciado de acordo com cada quadro ou animal acometido,devendo ser prescrito com critério,principalmente com ajuda do ecocardiograma.Deve-se ter em mente quais benefícios pode trazer a terapia e levar-se em conta a disponibilidade e a cooperação do proprietário,que é de fundamental importância.
Disponibilizo o artigo para os colegas,só me pedirem por email.Abraço!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Infecção por Tritrichomonas


Tritrichomonas foetus é um protozoário parasita intestinal,que pode causar quadros diarréicos severos em gatos.Muitas vezes com difícil e decepcionante tratamento.
É um parasita flagelado semelhante morfologicamente com a Giardia sp, que coloniza principalmente o cólon,e se reproduz por fissão binária.A transmissão é principalmente oral por contado com as fezes e fômites de animais contaminados.Ambientes com alta densidade populacional,como gatis e abrigos são os mais problemáticos em relação à epidemiologia.Gatos confinados são os mais afetados,podendo ser acometidos por outros parasitas concomitantemente,o que dificulta o tratamento e profilaxia.
Os sinais clínicos mais comuns são:Diarréia de intestino grosso,com o tenesmo,muco e sangue-vivo nas fezes,dor ao defecar,edema anal,incontinência fecal.Muitas vezes a diarréia é crônica,persistente e resistente a muitos medicamentos antibióticos e antiparasitários.Pode haver perda de peso mas não é comum.Gatos jovens de até um ano de idade são os mais afetados,porém,adultos imunossuprimidos ou em condições sanitárias precárias podem vir a manifestar a sintomatologia.
O quadro diarréico pode perdurar por meses.Alguns animais curam-se sem tratamento,mas permanecem eliminando o protozoário no ambiente.Pode ocorrer óbitos por complicações como a desidratação e endotoxemia por bactérias oportunistas.
O diagnóstico pode ser de maneira direta,com microscopia de material fecal,salientando-se a semelhança do parasita com a Giardia e sendo que ,infecções mistas podem ocorrer.Há também método de cultura específico e o PCR,sendo o considerado de maior sensibilidade.
O tratamento não é fácil.Metronidazol e febendazol não são efetivos,mesmo em dosagens altas e prolongadas.O ronidazol é o fármaco de escolha,porém não é ainda licenciado para gatos,podendo causar em determinadas doses:Letargia,ataxia,tremores e até convulsões.Entretando,é o único tratamento considerado efetivo.
Assim,não é incomum encontrarmos quadros quase intratáveis de diarréia em animais de abrigos ou até mesmo gatis.A Tritrichomoníase deve entrar no diagnóstico diferencial desses quadros.O diagnóstico deve ser rápido e o isolamento dos animais acometidos é de fundamental importância.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Conjuntivite Felina


Distúrbios oculares são comuns na clínica de felinos,dentre estes,a conjuntivite é o problema ocular mais comum nos gatos.Onde as vezes o curso é rápido e agudo,precisando de um tratamento correto e urgencial para impedir complicações mais graves.
A conjuntiva é uma membrana mucosa que reveste a superfície ocular e a face interna das pálpebras,incluindo a membrana nictante ou terceira pálpebra.É um tecido muito vascularizado,que desempenha funções importantes para o olho,agindo como um orgão linfóide,para a proteção de todo bulbo ocular e também com função na produção de muco para o filme lacrimal.
Os principais sinais observados na conjuntivite são :hiperemia ,quemose,secreção mucopurulenta,blefaroespasmo,epífora,protusão de terceira pálpebra e dor ocular.

Diversos patógenos ou eventos traumatizantes podem danificar a conjuntiva e causar a inflamação.
O trauma é um fator comum,principalmente nos episódios de brigas entre machos,onde pode ocorrer facilmente lacerações de pálpebras e de olho.O tratamento destas lesões é difícil,devendo-se considerar a patogenicidade da flora bacteriana normal da unha do gato.A antibioticoterapia deverá ser agressiva.
O Herpesvírus é um agente bem conhecido da conjuntivite felina.Geralmente acomete os filhotes bem cedo,podendo causar lise dos tecidos oculares,gerando úlceras e até quadros mais graves de inflamações oculares.Principalmente quando acompanhado de bactérias oportunistas,que aumentam a patogenicidade do quadro.O tratamento é fundamentado em cuidados de enfermagem,antibióticos e antivirais.É importante entendermos que o gato pode ficar curado clinicamente,mas há a possibilidade de reincidência,pois o vírus permanece nos ramos do nervo Trigêmio .
As principais bactérias causadoras ou potencializadoras da conjuntivite são a Chlamydophila felis e Mycoplasma felis.São organismos intracelulares obrigatórios que acometem principalmente filhotes e animais imunodeprimidos.A primeira causa uma inflamação intensa na conjuntiva,causando edema(quemose) bem evidente,a segunda é determinada principalmente pela formação de "pseudomembrana" na superfície ocular.O tratamento é com antibióticos tópicos(colírios e pomadas) e também oral.Quase sempre estas bactérias estão associadas com a herpesvirose.
Outros patógenos ,como os fungos,podem também causar conjuntivite,mas são menos comuns.
Algumas anormalidades conformacionais das pálpebras,congênitas ou adquiridas,podem predispor ou perpetuarem quadros de conjuntivites.Agenesia palpebral(falta de porções das pálpebras) ; o entrópio,que é o "enrolamento" da pálpebra para dentro do olho e microftalmia(olhos diminuídos de volume),são os problemas estruturais mais comuns nestes casos.
É fundamental o diagnóstico precoce,com exame clínico criterioso por oftalmologista,para se detectar a causa da inflamação.Visto que uma conjuntivite crônica ou errôneamente tratada pode trazer sérias consequências à visão do animal.Uma conjuntivite pode levar ao quadro de "olho seco",ou seja,uma deficiência na produção lacrimal,podendo seguir a uma ulceração de córnea e uveíte,pondo em risco a integridade do olho do felino.
O diagnóstico é por exame físico direto oftalmológico e por exames laboratoriais como a citologia e cultura do material secretado.