Mostrando postagens com marcador gengivite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gengivite. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de março de 2015

Exodontia como Tratamento da Estomatite- Gengivite Felina


Conforme abordado em post anterior( http://medfelina.blogspot.com.br/2014/06/gengivite-estomatite-felina.html ), a gengivite- estomatite felina é um quadro inflamatório grave da cavidade oral de gatos, que leva a um grande desconforto e dor, dificultando a mastigação e ingestão de alimentos, diminuindo bastante a qualidade de vida do paciente felino. O tratamento ainda é controverso, sem grandes alternativas eficazes. Entretanto, a exodontia total tem demonstrado que ainda é  o procedimento com melhores resultados, muitas vezes podendo-se poupar os dentes incisivos e caninos.

A dentição normal de um gato adulto é composta por 30 dentes, sendo constituído de 12 incisivos( 6 superiores e 6 inferiores), 4 caninos, 10 pré- molares(4 inferiores e 6 superiores) e 4 molares( 2 superiores e 2 inferiores). Estes devem começar a irromper por volta dos 5 meses de idade. É fundamental o conhecimento da anatomia desses dentes, principalmente porque a maioria dos pré-molares e molares possuem raiz dupla, sendo que dois molares superiores possuem três raízes. Estas particularidades  são importantes para a técnica correta da exodontia, aonde os dentes devem ser incididos com uma broca e caneta odontológica de alta rotação, a fim de "transformá-los" em dentes de uma só raiz, fascilitando o processo de luxação e extração, sem fraturar raízes e danificar as estruturas ósseas adjacentes. Não deve permanecer nenhum fragmento de raiz nos alvéolos remanescentes, somente assim é garantida a diminuição do processo inflamatório oral. Assim, o uso de equipamentos odontológicos próprios para a espécie felina é essencial para uma técnica segura e correta.

Acredita-se que o efeito benéfico da exodontia nesses animais deve-se ao fato de que ocorra uma diminuição  da carga antigênica na cavidade oral, incluindo a própria microflora bacteriana, placas e dentes com lesão de reabsorção, levando a uma amenização dos sinais inflamatórios. Diversos estudos apontam uma melhora de 80% dos sinais clínicos, variando de animal para animal, de acordo com as doenças associadas ou etiologia. Comportamentalmente, esses gatos demonstram maior satisfação ao contato com seus proprietários, melhoram o grooming, aumentam o apetite e ganham peso, principalmente pelo alívio da dor, além de que necessitam de uma menor dose ou frequência de medicações, como os corticóides. Incrivelmente estes pacientes se alimentam bem melhor do que antes, quando tinham a dentição completa.

domingo, 22 de junho de 2014

Gengivite- estomatite Felina



   Há vários tipos de afecções orais em gatos, dentre elas, a gengivite-estomatite crônica é uma das mais presentes na clínica de felinos, além da reabsorção odontoclástica. É uma doença que acomete uma boa parte da população felina doméstica, trazendo grandes transtornos à saúde destes animais.

   O gato acometido apresenta um grande desconforto e dor ao abrir a boca, muitas vezes deixa de se alimentar e reluta até em ingerir líquidos. Pode haver sialorréia e sangramento oral espontâneo com um aumento de linfonodos submandibulares. Clinicamente, no exame intra-oral, pode-se perceber uma intensa proliferação de tecido inflamatório, principalmente nas regiões mais posteriores da boca nos chamados arcos glossopalatinos, o que pode acompanhar uma secreção purulenta e severa halitose.

   Vários agentes etiológicos são incriminados, principalmente vírus, como o Calicivírus Felino e o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), além de bactérias da própria microflora oral do gato. Fatores genéticos também são investigados, determinadas raças parecem ser mais predispostas, como os siameses e persas. Entretanto, fatores imunológicos individuais parecem ser mais determinantes no desenvolvimento do quadro. Já há comprovação de que nos gatos acometidos há uma alteração no nível de imunoglobulinas salivares em comparação a gatos sadios. Os animais com gengivite-estomatite apresentam um nível salivar de IgA em menor quantidade do que os que não apresentam a doença. Além de que há um aumento da expressão de Interleucinas (IL-6 e IL-4) na mucosa dos gatos enfermos. Entretanto, não se sabe se essas alterações se relacionam com a causa ou seria uma consequência da enfermidade.

  O tratamento mais utilizado atualmente é a imunossupressão com corticosteróides, pricipalmente a prednisolona, podendo-se associar com antibióticos. Recomenda-se também um tratamento periodontal criterioso. No entanto, a terapia muitas vezes é de resposta parcial, com resultados limitantes, aonde na maior parte dos quadros é necessário um longo tempo de administração, aumentando o risco de efeitos indesejáveis da medicação. A exodontia, ou seja, a extração de todos ou a maioria dos dentes, ainda é a mais recomendada forma de tratamento, apesar da radicalidade aparente, a retirada dos dentes leva a uma diminuição da antigenicidade oral, o que diminui a resposta inflamatória local na maioria dos casos.

   Assim, ainda há um longo caminho de estudos e pesquisas a fim de elucidarmos a etiologia e patogênese da Gengivite-Estomatite Crônica Felina, até chegarmos a um tratamento mais eficaz e conservador.