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segunda-feira, 28 de março de 2016

Doença Renal Crônica: O que fazer para prolongar a vida do nosso amigo?





A DRC, ou doença renal crônica, é uma das enfermidades que pode acometer qualquer raça, sexo ou idade, no entanto, animais mais velhos desenvolvem a doença com maior freqüência. Estima-se que até 40% dos gatos a partir de 10 anos de idade desenvolverão algum grau de doença renal, sendo a causa morte em mais de 13% de animais com média de 15 anos. Assim, não dá para fechar os olhos para ela, e o pior, muitas vezes é silenciosa. Será que você tem certeza do "status renal" do seu bichano? Já parou pra pensar nisso?
-Importancia do rim:
Os rins te uma grande importância para manutenção da homeostase portanto a diminuição da função renal, implica no comprometimento de todos os órgãos. O grau de filtração glomerular é a principal forma de avaliação da função renal. A  diminuição progressiva da filtração indica um quadro de doença renal crônica e gera uma perda das funções regulatórias, excretórias e endócrinas do rim.
-Porque é tao comum em gatos?
A maioria dos casos de insuficiência renal crônica não tem causa específica.  Várias causas são apontadas para explicar a prevalência tão grande da DRC em gatos: A alimentação restritamente seca pode ser importante fator, já que a diminuição da ingestão hidríca pode afetar o fluxo sanguíneo renal, entretanto não explica completamente toda essa casuística. Substâncias ou medicamentos administrados em algum período da vida do animal podem causar um injúria renal, iniciando o processo tóxico ou inflamatório nas células renais, desencadeando a degeneração dos glomérulos e tubúlos renais, principalmente. Processos infecciosos, como infecções pelo FIV (Aids felina), ou infecções bacterianas, podem causar uma resposta inflamatória sistêmica, gerando várias substâncias inflamatórias que se depositarão no tecido renal, podendo ser também fatores de lesão renal inicial. Existe também a possibilidade de doenças congênitas, que sucubem na DRC, como a presença de cistos no parênquima renal (Doença Renal Policística), mais comum em gatos de raça pura, como os persas. Entretanto, na realidade, na maioria dos casos não conseguimos identificar o fator inicial, assim, é fundamental descobrirmos o mais prontamente e principalmente prevenirmos na maneira do possível.
-Sinais clínicos
Os primeiros sinais clínicos que o nosso gatinho pode apresentar são inespecíficos, mas principalmente a perda de peso e vômitos, em animais a partir de 8 anos de idade, são bastante sugestivos. A poliúria e polidipsia, ou seja, o aumento do consumo de água e do volume urinário, são sinais também de DRC, porém muito mais tardios. O agravamento pode gerar problemas como úlceras, anemia, infecções oportunistas, alterações cardiacas e cegueira.

-Diagnóstico
O medico veterinario deve realizer uma anamnese detalhada, além de realizar exames clínicos e laboratoriais periódicos, incluindo principalmente o hemograma, creatinina sérica, sumário de urina e relação proteína/ creatinina urinária. Outros exames complementares que podem ser realizados são cultura da urina, radiografia, ultra-sonografia, e afericao da pressão sanguínea.  Assim, temos condições de diagnosticar precocemente o doente renal.
-Tratamento
O tratamento irá depender do grau da insuficiência renal, determinado pelo painel de exames, mas fundamentalmente a alimentação e a hidratação são os esteios da terapêutica da DRC. O paciente renal tem uma grande perda proteica, consumindo massa muscular, assim a nutrição é um fator preditivo importante, sendo a baixa de peso muito correlacionada a prognóstico ruim. O ideal é que se forneça ração específica para doente renal, porque estas possuem uma quantidade e qualidade recomendada de proteínas, além de baixo níveis de fósforo. Entretanto, muita atenção e cuidado nesta fase de troca de alimentação, muitos gatos não aceitam facilmente a nova dieta, e alguns não aceitarão nunca. Portanto, é importante o bom senso, gato não pode ficar sem comer. Muitas vezes temos que manter a alimentação rotineira e mudarmos gradativamente. Isto é verdade também em pacientes internados ou totalmente anoréxicos, que nauseiam facilmente, sendo inútil forçar a alimentação. Nestes pacientes, não podemos esquecer de colocarmos sondas alimentares, nasogástricas ou esofágicas, lembrando que fluidoterapia não alimenta ninguém.A hidratação do paciente, em casos iniciais pode ser feito na própria casa, por vial oral ou até por via subcutânea, sendo um procedimento simples que muitos proprietários podem fazer, com um pouco de treinamento e obedecendo as indicações do veterinário.-Prevenção É a base de uma medicina mais eficaz e inteligente. Recomenda-se a realização de ultrassonografias periódicas, principalmente em felinos idosos, como também em raças predispostas a doenças genéticas, podendo-se detectar alterações precocemente.

O ideal é que se forneça mais água e alimentos úmidos, aumentando a ingesta de líquidos, favorecendo o fluxo renal. Deve- se ter muito cuidado com a administração de medicamentos aos nossos gatos, muitas substâncias oferecem riscos à saúde renal , incluindo antibióticos e antiinflamatórios bem comuns. Assim, é fundamental o acompanhamento de um veterinário preparado, que juntamente com a dedicação do tutor, consegue-se o prolongamento da vida do paciente renal, com  boa qualidade de vida, o que é o mais importante.

domingo, 22 de junho de 2014

Gengivite- estomatite Felina



   Há vários tipos de afecções orais em gatos, dentre elas, a gengivite-estomatite crônica é uma das mais presentes na clínica de felinos, além da reabsorção odontoclástica. É uma doença que acomete uma boa parte da população felina doméstica, trazendo grandes transtornos à saúde destes animais.

   O gato acometido apresenta um grande desconforto e dor ao abrir a boca, muitas vezes deixa de se alimentar e reluta até em ingerir líquidos. Pode haver sialorréia e sangramento oral espontâneo com um aumento de linfonodos submandibulares. Clinicamente, no exame intra-oral, pode-se perceber uma intensa proliferação de tecido inflamatório, principalmente nas regiões mais posteriores da boca nos chamados arcos glossopalatinos, o que pode acompanhar uma secreção purulenta e severa halitose.

   Vários agentes etiológicos são incriminados, principalmente vírus, como o Calicivírus Felino e o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), além de bactérias da própria microflora oral do gato. Fatores genéticos também são investigados, determinadas raças parecem ser mais predispostas, como os siameses e persas. Entretanto, fatores imunológicos individuais parecem ser mais determinantes no desenvolvimento do quadro. Já há comprovação de que nos gatos acometidos há uma alteração no nível de imunoglobulinas salivares em comparação a gatos sadios. Os animais com gengivite-estomatite apresentam um nível salivar de IgA em menor quantidade do que os que não apresentam a doença. Além de que há um aumento da expressão de Interleucinas (IL-6 e IL-4) na mucosa dos gatos enfermos. Entretanto, não se sabe se essas alterações se relacionam com a causa ou seria uma consequência da enfermidade.

  O tratamento mais utilizado atualmente é a imunossupressão com corticosteróides, pricipalmente a prednisolona, podendo-se associar com antibióticos. Recomenda-se também um tratamento periodontal criterioso. No entanto, a terapia muitas vezes é de resposta parcial, com resultados limitantes, aonde na maior parte dos quadros é necessário um longo tempo de administração, aumentando o risco de efeitos indesejáveis da medicação. A exodontia, ou seja, a extração de todos ou a maioria dos dentes, ainda é a mais recomendada forma de tratamento, apesar da radicalidade aparente, a retirada dos dentes leva a uma diminuição da antigenicidade oral, o que diminui a resposta inflamatória local na maioria dos casos.

   Assim, ainda há um longo caminho de estudos e pesquisas a fim de elucidarmos a etiologia e patogênese da Gengivite-Estomatite Crônica Felina, até chegarmos a um tratamento mais eficaz e conservador.

domingo, 1 de abril de 2012

FIV e FeLV: O que os proprietários devem saber.




Tão quão importante o diagnóstico das retroviroses felinas(FIV e FeLV) , é também o esclarecimento e a conscientização dos proprietários em relação à transmissão, epidemiologia e cuidados com o paciente infectado.
As duas enfermidades possuem algumas características semelhantes, sendo causadas por retrovírus: A FeLV(Leucemia Felina) é por um Retrovírus Gama com vários subtipos e a FIV(Imunodeficiência ou AIDS Felina) é causada por um Lentivírus. Ambos são transmitidos por contato direto, como lambeduras e mordidas, mas também através da amamentação, por via placentária, tranfusões sanguíneas e muito dificilmente pelo coito(FIV).
São doenças comuns em locais com muitos gatos aglomerados, aonde há o contato direto próximo e frequente entre os indivíduos. Ambientes onde há um fluxo de entrada e saída constante de animais também favorecem a proliferação dos vírus.
A FIV e a FeLV predispõem aos gatos acometidos várias doenças e quadros mórbidos, diminuindo bastante a espectativa de vida. Ambas podem causar imunodeficiências e surgimento de neoplasias malignas nestes animais. Estes retrovírus destroem as células de defesa do felino, proporcionando infecções secundárias, como distúrbios intestinais, problemas neurológicos, anemias profundas, infecções na pele, micoses, gengivites, periodontites, otites e falência orgânica mais tardiamente. Eles interferem na replicação das células do gato, predispondo o animal infectado à formação de tumores em qualquer região ou sistema orgânico, principalmente ao surgimento de Linfomas.
O modo de como o gato infectado irá apresentar a doença dependerá da fase da vida em que acontece a contaminação. Pacientes que se infectam quando filhotes ou jovens tendem a desenvolver a enfermidade de uma forma mais grave ou destrutiva.
O diagnóstico precoce é importante principalmente para impedir a proliferação da doença, mas como também  dar um suporte ao felino acometido. Há exames rápidos para a detecção de animais positivos como o sorológico(ELISA), que é o teste inicial a ser realizado.
Quando ou quais gatos deverão ser testados?
Gatos recém adquiridos, principalmente vindos da rua, devem ser testados antes de entrarem no ambiente. Filhotes, a partir de 3 meses de idade, ou antes da vacinação. Doadores de sangue. Animais que têm acesso à rua. Todo e qualquer felino doente e gatos que tiveram contato com soropositivos.
Como é o teste rápido?
O teste é realizado de forma muito simples: Com poucas gotas de sangue e em 10 minutos, temos o resultado. O teste é duplo, em um mesmo exame seu felino é testado para os dois vírus.
O teste FIV e FeLV é de resultado 100% seguro?
Não, nenhum teste é de sensibilidade 100%. Podem ocorrer falsos-positivos e falsos-negativos por problemas na coleta e pela fase da doença no animal, como por exemplo. É muito importante retestar o animal em casos duvidosos com 30 a 60 dias, e é necessário salientar que NEM TODO ANIMAL POSITIVO ESTÁ DOENTE, alguns casos o felino consegue debelar a infecção, ficando livre da doença. Pode-se lançar mão a outros tipos de exames, conjuntamente com os sorológicos, como os testes de PCR RNA-viral ou DNA-viral(Pró-Vírus), e imunoflorescência, ajudando a identificar animais infectantes e não-infectantes.
A prevenção é de fundamental importância:
Existe vacina somente contra FeLV aqui no Brasil. Gatos de grupos de riscos devem ser vacinados, como os que vivem semi-domiciliados e de ambientes com vários outros indivíduos. Não recomenda-se vacinar animais que vivem isolados em apartamentos, sem contato com outros gatos, não é necessário nestes casos. A castração precoce pode diminuir o risco de infecção visto que dificulta o comportamento de risco do indivíduo em sair e brigar com outros gatos. Deve-se evitar, também, a entrada de novos animais, principalmente não-testados e de origem desconhecida. Em casos positivos recomenda-se separar o felino doente, evitando que este saia ou entre em contato com outro gato.
O tratamento:
É praticamente de suporte, visto que os anti-virais humanos recomendados são de difícil acesso. Uma excelente alimentação, cuidados higiênicos, profilaxia dentária, vacinação, vermifugação em dia e claro acompanhamento veterinário,são fundamentais. Devido à natureza das duas doenças, um gato com FIV geralmente vive mais do que um com FeLV. Animais com o vírus da Leucemia Felina tendem a desenvolver quadros mais graves precocemente.

Finalmente,as duas doenças NÃO ACOMETEM O SER-HUMANO. AIDS Felina e a Leucemia Felina NÃO é transmitida ao homem.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Foliculite Mural Degenerativa Mucinótica


A Foliculite Mural Idiopática Felina ou Foliculite Mural Degenerativa Mucinótica é uma causa rara de dermatite esfoliativa felina.Já é bem conhecida na Europa,entretanto no Brasil ainda é pouco diagnosticada.
Acredita-se que a enfermidade seja uma síndrome em resposta a uma doença sistêmica,principalmente a neoplasias.É originada pela destruição dos folículos pilosos por células inflamatórias,incluindo linfócitos e neutrófilos,compreendendo primariamente a bainha externa do pêlo acima do istmo folicular.A mucina é produzida pelos queratinócitos quando estimulados pela infiltração dos linfócitos no folículo.
O felino enfermo é na maioria das vezes adulto a idoso,entre 7 a 12 anos,apresentando uma quadro rápido de alopecia,eritema,crostas e descamação,principalmente facial,mas que logo se distribue para os membros,pescoço e dorso.O aspecto facial fica característico,com um edema de pálpebras e de espelho nasal.Comumente não há prurido,ou se presente,é discreto.
O diagnóstico diferencial deve incluir as dermatofitoses,hipersensibilidade alimentar e atopia,linfoma epiteliotrópico,pseudopelada e timomas.Culturas fúngicas são importantes para descartar os parasitas.Dieta de eliminação também é fundamental para o diagnóstico e até terapia,já que um caso de Foliculite Mural já foi associado à dieta comercial(J. Declerq,2000).
O histopatológico de pele é essencial para se fechar o diagnóstico.As biópsias dever ser sequênciais,assim podemos diferenciar ou mesmo determinar uma neoplasia,como o linfoma epiteliotrópico.Por suspeitar-se também,que a Foliculite Mural seja uma síndrome paraneoplásica,deve-se investigar minuciosamente o paciente,utilizando-se exames bioquímicos e de imagem,como ultrassonografia e radiografias,descartando como por exemplo,um timoma,que pode causar uma dermatite esfoliativa semelhante.
O estado FIV/FeLV do felino é importante,visto que a associação do quadro com o Vírus da Imunodeficiência Felina piora ainda mais o prognóstico,onde há lesões mais severas nos folículos pilosos.
Ainda não há relato de cura da doença.Tratamentos à base de corticóides e imunossupresores não foram satisfatórios.Em todos os casos reportados os animais vieram a óbito em média de 4 meses após o diagnóstico.Devido a sinais sistêmicos,como apatia,hipertermia,emagrecimento,diarréia,sugere-se uma doença sistêmica associada,ainda não determinada.Nos animais necropsiados,não foram encontrados alterações relevantes para a elucidação da causa.

Finalmente,pela a suspeita de que a Foliculite Mural Degenerativa Mucinótica seja uma síndrome paraneoplásica,advindo-se novos casos confirmados,deverá-se investigar possíveis neoplasias,a fim de obter-se uma luz para a cura do animal.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Complexo Granuloma Eosinofílico


Por Fernanda dos Santos Alves*





Apesar dos recentes progressos na dermatologia felina, o complexo granuloma eosinofílico (CGE) segue sendo uma síndrome mal conhecida e, portanto, origem de muitas falhas e erros terapêuticos. Diversos relatos de ocorrência relacionados e um estudo do desenvolvimento da doença em uma colônia de gatos livres de patógenos indicam que, pelo menos em alguns indivíduos, predisposição genética (resultando talvez em uma disfunção hereditária da regulação eosinofílica) é um componente significativo da doença. São observadas três formas distintas dessa síndrome: granuloma linear eosinofílico (granuloma colagenolítico), placa eosinofílica e úlcera indolente ou eosinofílica.
A placa eosinofílica é uma reação de hipersensibilidade mais frequentemente a insetos, com menor freqüência a alimentos e alérgenos ambientais. O granuloma eosinofílino possui múltiplas causas, incluindo hipersensibilidade e predisposição genética. A úlcera indolente pode ter ambas as causas, genética e hipersensibilidade.
Relata-se que a placa eosinofílica ocorre em felinos de 2 a 6 anos de idade e que para úlcera indolente a predisposição por idade não foi reportada. A predisposição por fêmeas tem sido relatada somente para a úlcera indolente. Lesões de mais de uma síndrome podem ocorrer simultaneamente e podem desenvolver-se espontânea e agudamente. Além disso, relata-se que a incidência sazonal é comum.
As características clínicas das placas eosinofílicas são placas e manchas alopécicas, eritematosas e erosivas que, em geral, ocorrem nas regiões inguinal, perineal, lateral da coxa e axilar, sendo frequentemente úmidas ou cintilantes; pode ocorrer eosinofilia circulante. Nos granulomas eosinofílicos, ocorre uma orientação distintamente linear na região caudal da coxa, medial dos membros anteriores ou como placas individuais ou coalescentes em qualquer região do corpo. Apresentam-se ulcerados, com um padrão ulcerado ou “de paralelepípedo”, brancos ou amarelados; pode ocorrer tumefação do mento e da borda do lábio, do coxim plantar, dor e claudicação, ulcerações na cavidade oral (língua, palato, arcos palatinos) e também associa-se a eosinofilia circulante. As úlceras indolentes classicamente são ulcerações elevadas e endurecidas restritas ao lábio superior e adjacentes ao philtrum ou adjacente aos dentes caninos superiores. A periferia fica saliente e circunda uma superfície ulcerada amarelo-rosada. As lesões geralmente são dolorosas ou pruriginosas.
Os diagnósticos diferenciais para lesões não responsivas incluem pênfigo foliáceo, dermatofitose, infecção fúngica profunda, demodicose, piodermatite, adenocarcinoma metastático, linfoma cutâneo e outras neoplasias. O diagnóstico é feito baseando-se no exame clínico, citologia e histopatologia. São recomendados ainda hemograma, bioquímica, urinálise e sorologia para FIV e FeLV.
A maior parte dos pacientes pode ser tratada em ambulatório, a menos que desenvolva doença oral grave. O tratamento recomendado é a imunossupressão com corticóides orais até o desaparecimento das lesões, quando deve-se fazer o desmame lentamente. Na falta de respostas, pode-se combinar corticóides e agentes imunossupressivos seletivos, por exemplo, para lesões graves, clorambucil. Pode-se usar ainda ciclofosfamida. O uso de antibióticos (trimetoprima-sulfadiazina, cefalexina, amoxicilina – clavulanato, cefadroxil) é eficaz em alguns casos e preferível ao uso de corticóides. A resposta pode ser resultado da atividade anti-inflamatória dessas drogas em vez de suas propriedades bactericidas principais. Como relatos ocasionais de sucesso, relatam o uso de radiação, excisão cirúrgica e imunomodulação.


*Mais uma grande contribuição da Dra.Fernanda,CRMV-MG 9539
Med.Veterinária Esp.em Clínica e Cirurgia de Peq.Animais
Muito Obrigado Fê!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vacinação em Felinos



Várias doenças infecciosas felinas tornaram-se pouco prevalentes devido à vacinação de filhotes e adultos susceptíveis.Assim como nos cães,não existe medicina preventiva eficaz se não houver um programa de imunização adequado ao felino.



É importante salientar que não existe fórmula,ou programa de vacinação universal.A imunização deve ser orientada ao paciente,de acordo com as condições em que vive e ao risco de exposição a patógenos.As vacinas polivalentes existem para facilitar à vida de nós veterinários,mas nem sempre é a ideal para todos os pacientes,principalmente porque as apresentações compostas aumentam o risco de efeitos colaterais.



Um felino que vive em apartamento,sozinho,sem contato com outros animais,com certeza não precisará de um mesmo programa de vacinação que um gato de abrigo,onde o desafio é completamente maior.



Geralmente recomenda-se iniciar a imunização com cerca de três meses de idade,período em que provavelmente não há mais interferência dos anticorpos maternos.Basicamente deve-se usar a vacina tríplice(contra calicivirose,rinotraqueíte e panleucopenia) e repetir com cerca de 30 dias.Se o animal conviver com muitos gatos,principlamente em ambientes mais fechados,pode-se usar a quádrupla(que possui adicionada a vacina contra clamidiose),porém esta ainda é discutida,devido à clamidiose não ser comum no dia-a-dia da clínica felina.Além de que os efeitos adversos são mais comuns,como febre,prostração,anorexia e dores.



A quíntupla, é opção para gatos de vida semi-interna,ou que tenham contato com animais vindo de fora do seu ambiente.O que difere da quádrupla é a inclusão da leucemia felina.Lembrando que o filhote deve ser testado para FIV/FeLV antes de ser vacinado.A antirábica é feita anualmente,a partir de quatro meses de idade.



Já existe no mercado brasileiro, há algum tempo,uma vacina contra a nova cepa de Calicivírus,que causa uma doença de alta mortalidade,mesmo em animais vacinados com a vacina comum.A recomendação já é utilizá-la,porque a doença quase sempre têm um prognóstico ruim.



O reforço das vacinas deve ser anual,embora mesmo alguns trabalhos já tenham demonstrado uma proteção boa após três anos da imunização,há uma maior segurança com as repetições anuais,principalmente em relação ao Herpesvírus,que costuma acometer mesmo os gatos vacinados.






Os felinos podem desenvolver neoplasias no locais de injeção.Não apenas por vacinas,mas qualquer medicação subcutânea.Assim,as áreas recomendadas para a aplicação são nas extremidades dos membros,de acordo com um diagrama próprio,para facilitar a identificação da vacina ou produto que causou,como também para ajudar no tratamento,que é cirúrgico principalmente.O risco é pequeno e os benefícios da vacinação são muito maiores.






domingo, 27 de março de 2011

Trombocitopenia em Gatos


A trombocitopenia é um achado laboratorial bastante comum em felinos,porém na verdade,a pseudotrombocitopenia é mais comum,que consiste na contagem errônea dos níveis plaquetários,principalmente pelos contadores hematológicos automáticos.Primeiro devido ao tamanho das plaquetas dos gatos,que algumas são quase iguais ao das hemácias e também devido à tendência destas formarem agregados mais rapidamente em relação as outras espécies.

Portanto, o ideal é que a contagem seja feita 'manualmente" e no máximo em até 30 minutos após a colheita da amostra sanguínea.

As desordens plaquetárias podem ser de dois tipos principalmente:Quantitativas,que é a diminuição do número de plaquetas,seja por redução da produção,aumento da destruição ou utilização destas; e os distúrbios qualitativos,ou trombocitopatia,que é a deficiência na função plaquetária.

Infelizmente a interpretação da trombocitopenia em felinos ainda gera enganos para a maioria dos clínicos,principalmente em relação aos hemoparasitas.Em dois importantes estudos,várias causas foram identificadas como causadoras de diminuição do número de plaquetas em gatos,a Hemobartonella ou Micoplasma NÃO foram verificados nestes animais.

Um estudo em Berlim e outro na Carolina do Norte,ambos sobre a prevalência de trombocitopenia em gatos e suas causas ,tiveram resultados semelhantes.No primeiro, foi relatado que dentre 63 animais trombocitopênicos as causas virais foram as mais comuns(FIV,FELV,PIF),seguidas de doenças inflamatórias(pancreatite,hepatopatias,problemas renais,FLUTD...) e doenças neoplásicas.Na Universidade da Carolina do Norte dentre os anos de 1985 a 1990,as doenças infecciosas virais também foram as causas mais encontradas,seguidas das neoplasia(linfomas,leucemias,hemangiosarcomas) e doenças cardíacas.A trombocitopenia imuno-mediada também foi relatada em 2% dos gatos .

O tratamento da trombocitopenia dependerá da causa subjacente.A transfusão de sangue total ou melhor,de papa de plaqueta(quando possível),vai também depender do quadro patológico.O maior benefício é quando há uma diminuição na produção e um consumo dentro da normalidade.Quando há uma destruição exagerada de palquetas e um distúrbio imuno-mediado a transfusão não é tão satisfatória,podendo haver uma piora rápida do quadro.

O link refere-se aos dois trabalhos abordados*.Notadamente a HEMOBARTONELOSE NÃO ENTRA NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE TROMBOCITOPENIA,além disso,não se pode afirmar que o gato está trombocitopênico diante de contagens feitas por contadores automáticos e depois de 1h da colheita da amostra sanguínea.



*Agradecimentos ao Prof.Archivaldo Reche Júnior.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Piotórax


Piotórax é uma afecção relativamente comum em felinos,e ocorre quando há uma coleção de líquido séptico na cavidade torácica.Geralmente devido ao diagnóstico tardio,quase sempre é um quadro emergencial que deve ser tratado com muito cuidado.

As causas mais comuns são infecções causadas por bactérias da flora oral,como Bacteroides sp,Fusobacterium sp,Peptostreptococcus sp e também Clostridium sp,Pasteurella multocida e Actinonomyces sp.Estas bactérias podem chegar à cavidade torácica por meio de aspiração,fazendo um processo de parapneumonia,aumentando a permeabilidade pleural,contaminando e proliferando-se no espaço pleural.E mais comumente por lesões traumáticas ou perfurocortantes,como mordidas,corpos estranhos ou acidentes.

Em alguns casos a disseminação pode ser por via hematógena ou linfática,provindo de outros tecidos mais distantes.

Outras bactérias podem ser encontradas na efusão séptica,como Escherichia coli,Klebsiella spp,Streptococcus sp,Staphylococcus sp,Proteus spp,Corynebacterium pyogenes,Nocardia spp,porém em menor frequência.

Animais não-castrados,principalmente machos de vida livre,são mais susceptíveis,devido à combates e ferimentos por mordeduras.Entretando,acredita-se que gatos de abrigos com alta densidade populacional também são mais predispostos,principalmente pela circulação de agentes virais do complexo respiratório felino,aumentando o risco de afecções respiratórias predisponentes, como pneumonias.

Pela capacidade do felino em "disfaçar" a disfunção respiratória,limitando sua atividade física,aumentando e compensando a sua capacidade respiratória,a sintomatologia só será notada tardiamente pelo proprietário.Cansaço,dispnéia inspiratória,apatia e anorexia,perda de peso,intolerância ao exercício e tosse,são os sinais mais comuns.Dificilmente haverá presença de secreção nasal.

O diagnóstico primário é feito pelos sinais respiratórios:Na ausculta os sons cardíacos estão abafados e os sons respiratórios aumentados dorsalmente e diminuídos ventralmente.A estabilização do paciente é fundamental para a maioria dos procedimentos diagnósticos,como radiografias e coleta de sangue.Recomenda-se a toracocentese mesmo nos quadros duvidosos,a retirada de líquido efusivo tanto fecha o diagnóstico como salva o animal.

Emprega-se um circuito com scalp 21,seringa de 10ml e torneira de três vias.Insere-se geralmente no hemitórax esquerdo,após tricotomia,na região do sétimo ao oitavo espaço intercostal,debaixo da junção costocondral.Deve-se retirar tanto quanto possível de líquido,separando-se amostras para cultura aeróbica e anaeróbica,além de avaliação citológica e bioquímica.Geralmente não é necessário sedação ou anestesia para o procedimento,ou pode-se fazer bloqueio com anestésico local.

O paciente deve ser testado para FIV/FeLV,piorando o prognóstico em casos positivos.

A antibioticoterapia deve ser baseada nos resultados das culturas bacterianas,entretanto antibióticos como a clindamicina,amoxicilina com clavulanato,ampicilina e aminoglicosídeos podem ser utilizados inicialmente.

Muito comumente a colocação de um dreno torácico é necessário para a lavagem e aspiração contínua ou periódica do conteúdo pleural.Utiliza-se sondas ou drenos de 10 a 16 French,fixando-se entre a sétima e oitava costela,sob anestesia geral com isoflurano.Insere-se fluido isotônico aquecido,na proporção de 10 a 20ml/kg de peso,aspirando-se logo em seguida.O dreno deverá permanecer por cerca de 5 a 10 dias,realizando-se o procedimento duas a três vezes ao dia.

O felino deverá ser acompanhado através de radiografias frequentes,exames hematológicos,fluido intravenosos,alimentação enteral e antibioticoterapia prolongada.Em casos mais raros há a recomendação de cirurgia torácica,para a exploração e retirada de focos encapsulados e até lobectomias de partes pulmonares afetadas.

Frequentemente o curso da terapia como dreno é de 10 dias,como o animal se recuperando bem e voltando à vida normal.




quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Linfadenomegalia : Abordagem Diagnóstica


A Ativação do sistema linfático, com o consequente aumento de volume dos linfonodos,é um evento comum na clínica de felinos.Várias enfermidades podem causar uma resposta hiperplásica dos nódulos linfáticos,as mais comuns são as doenças dermatológicas crônicas,as retroviroses e neoplasias.
A hiperplasia é um achado inespecífico,causada por uma ativação das células linfóides em face a uma estimulação antigênica.Citologicamente há a predominância de linfócitos pequenos e maduros,mas também com a presença ou não de linfócitos imaturos,plasmócitos e macrófagos.Em algumas enfermidades parasitárias da pele,pode ocorrer um aumento considerável de eosinófilos.
As linfadenites e as neoplasias causam também aumentos nos gânglios linfáticos,mas com substancial diferença citológica no exame histopatológico.Na linfadenopatia há uma proliferação de células malignas,principalmente linfócitos neoplásicos.Já um infiltrado de neutrófilos degenerados ou macrófagos em grande quantidade denotam a presença de uma enfermidade bacteriana.
A linfadenomegalia é mais perceptível nos linfonodos poplíteos,submandibulares e subescapulares,o baço deve ser sempre avaliado,possivelmente palpado.Pode ocorrer dor à palpação,no caso de linfadenites(infecções fúngicas ou bacterianas).Gânglios com mobilidade reduzidas,como se estivessem fixos,sugerem neoplasia ou linfadenite.Outros sinais comuns vêm associados,como febre,apatia e anorexia.Embora possa ocorrer em qualquer idade,é muito mais comum em animais jovens,com menos de 5 anos.
Afecções crônicas da pele são as causas mais frequêntes de linfadenopatia.Dentre elas destacam-se as dermatites alérgicas,principalmente a DAAP(Dermatite Alérgica à Picada de Pulgas e hipersensibilidade alimentar) e as parasitárias(escabioses,dermatofitoses e demodicose).Pênfigo,lupus,vasculites e erupção por drogas também entram no diagnóstico diferencial.
As retroviroses(FIV,FeLV) podem causar linfadenomegalia por distintos mecanismos:Por hiperplasia linfóide reativa durante a viremia primária ou persistente;pelo desenvolvimento de linfomas e neoplasias metastáticas;Por doenças derivadas de imunocomplexos(poliartrites);Por doenças oportunistas bacterianas,protozoáricas ou fúngicas,favorecidas pela imunosupressão.Sinais clínicos mais graves são detectados,como febre persistente,letargia,perda de peso,gengivites e estomatites,infecções respiratórias,sinais neurológicos,uveítes,etc.
Infecções fúngicas sistêmicas como a criptococose e esporotricose,enfermidades bacterianas,como micobacterioses,estreptococoses levam a uma linfadenite supurativa ou piogranulomatosa.
Além do linfoma,as neoplasias mais comuns que provocam o aumento generalizado dos linfonodos são os carcinomas e mastocitomas.
O diagnóstico é feito principalmente por citologia e biópsia de linfonodos,além da anamnese e exames laboratoriais.A apresentação clínica desta alteração semiológica não é patognomônica de nenhuma doença,mas um diagnóstico diferencial deve ser traçado de acordo com as possibilidades e o histórico do animal.

sábado, 3 de abril de 2010

Diagnóstico Diferencial de Convulsões em Felinos


Convulsões ocorrem devido a lesões irritativas nos neurônios da região proencefálica(tálamo-cortex),constatando-se uma perda de consciência,decúbito,movimentos tônico-clônicos,enrijecimento de mandíbula,espasmos faciais e sinais autonômicos(midríase,salivação,micção).Embora não seja tão frequente como nos cães,as inúmeras possibilidades etiológicas devem ser discorridas e compreendidas para o diagnóstico em um felino com convulsão.
As principais causas de convulsão em felinos são as encefalites,principalmente as virais,tumores e lesões por encefalopatias isquêmicas.As causas tóxicas,como envenenamentos,podem ser comuns,dependendo da região e estilo de vida do animal.Outras causas que devemos incluir são as nutricionais(deficiência de tiamina),meningoencefalites não-supurativas,infecções fúngicas e protozoárias e também traumas cranianos.Causas metabólicas e a epilepsia idiopática são raras em felinos.
Como nos cães,a convulsão pode se manifestar parcialmente,como sutis mudanças de comportamento,movimentos mastigatórios e repetitivos,tremores e diminuição propioceptiva dos membros,o que sugere lesão proencefálica focal.São as chamadas convulsões parciais.Com esta apresentação já podemos descartar uma epilepsia idiopática,tóxica ou metabólica.
As anomalias encefálicas congênitas não são comuns em gatos.A hidocefalia é a mais conhecida,mas geralmente é assintomática.Uma deformidade facial e cranial pode ser observada.Anormalidades mentais,deficiências visuais,hemiparesias,podem acompanhar as convulsões.Lisencefalia e cistos dermóides podem ocorrer também,com sinais progressivos,tipicamente em gatos com menos de um ano de idade.
A encefalopatia isquêmica felina ainda é pouco compreendida.A isquemia de tecidos cerebrais pode ocorrer devido à vasoespasmos de artérias cerebrais ou por migração de larvas de helmintos(Cutelebra).Classicamente o curso é superagudo,com sintomas unilaterais(hemiparesia,andar em círculo,perda de resposta postural).A convulsão surge como complicação,podendo aparecer meses depois do infarto cerebral.Mudanças comportamentais também são comuns.A análise do liquído cefalorraquidiano(LCR) geralmente é normal.O único meio de diagnóstico ante-mortem é por imagem cerebral,como a tumografia.
Meningoencefalite não-supurativa é uma outra causa possível de convulsão em felinos.Há sinais vestibulares,cerebelares,depressão e paresia.O curso é variável,pode agudo ou insidioso,progressivo ou regressivo.Acredita-se que infecções virais são causadoras da enfermidade.Herpesvirus e arbovirus são os suspeitos de desencadeiarem uma resposta autoimune contra as células nervosas,devido à estimulação antigênica.
O diagnóstico é feito através de análise do LCR,onde há um aumento moderado de proteínas,e por imagem cerebral.O tratamento é de suporte,com fluido e anticonvulsivantes.O uso do corticóide é controverso,em alguns casos a melhora é bem significativa,entretanto pode piorar em casos de viroses ativas.
As encefalites infecciosas formam um importante capítulo no diagnóstico diferencial de estados convulsivos em felinos.Infecções virais,como PIF e FIV,protozoários(toxoplasmose) e fungos(criptococose),podem causar infecções centrais graves.
A PIF é responsável pela maior porcentagem de encefalites infecciosas.Sintomas como "heald tilt",nistagmo,tremores intencionais,ataxia,paresia,com presença ou não de sinais sistêmicos,como febre,letargia,inapetência e sintomatologia ocular.As convulsões não ocorrem isoladamente,sempre haverá outro sintoma associado.O diagnóstico é pela anamnese(histórico,idade,estilo de vida do paciente),exame oftálmico,análise de LCR(alta concentração de proteínas).
Outras causas de encefalites infecciosas são a criptococose,FIV,toxoplasmose e raiva.A primeira geralmente é associada a descargas nasais,nódulos e ulcerações cutâneas,cegueira e alterações neurológicas.Na análise do LCR podem ser encontrados numerosos organismos fúngicos.A encefalopatia pela FIV geralmente é assintomática,podendo gerar anormalidades sutis no comportamento e quadros convulsivos.A toxoplasmose raramente se desenvolve como uma doença clínica em gatos,entretanto em alguns estados de imunosupressão pode ocorrer um quadro de pneumonia,hepatite ou pancreatite.Sinais oculares são comuns,além de febre,inapetência e miosite.O diagnóstico ante-mortem é difícil,em casos suspeitos recomenda-se iniciar o tratamento com clindamicina.
Convulsões acompanhadas de mudanças comportamentais superagudas,agressividade e medo,com progressão rápida para paralisia e morte,deve-se suspeitar de raiva felina,tomando-se todos cuidados epidemiológicos.
Os tumores encefálicos também são importantes no diagnóstico possível de convulsão em gatos.Geralmente ocasionam sinais focais progressivos(mudanças de personalidade,depressão,hemiparesias,perda parcial da visão e sensação facial).O animal é geralmente de meia-idade a idoso.O diagnóstico é principalmente por imagem.
Problemas metabólicos também devem ser considerados em felinos convulsivantes,embora não sejam comuns como nos cães.A encefalopatia hepática,deficiência de tiamina,hipoglicemia e hipocalcemia são os mais importantes.A primeira geralmente ocorre como eventos episódicos,quase sempre disparado após uma alimentação rica em proteínas.Sintomas bem evidentes são a hipersalivação e comportamentos bizarros.É um distúrbio bem comum em animais com "shunt" portossistêmico,com os primeiros sinais já no primeiro ano de vida.
Felinos com sintomatologia nervosa,consumindo dietas pobres e desbalanceadas,ou estritamente à base de peixe,são suspeitos de deficiência de tiamina.A ventroflexão do pescoço e opistótono são marcantes.
A hipoglicemia sintomática é incomum em gatos,só é vista em animais diabéticos tratados com superdosagem de insulina,ou com tumores secretórios de insulina ou ainda em sepsis.A hipocalcemia também é rara.Fasciculações musculares,tremores e tetania são evidenciados.Gatos bitireoidectomizados podem entrar em quadro hipocalcêmico no pós-cirúrgico.
Os felinos,por seu paladar seletivo,possuem uma menor facilidade em ingerir tóxicos,diminuindo a chance de envenenamento.Entretanto,raticidas e produtos tópicos utilizados para o controle de ectoparasitos podem causar intoxicações.Os sintomas são variáveis,dependendo da dose e da substância ingerida.Geralmente as convulsões são graves e de difícil controle,associadas a sinais centrais(depressão,hiperexcitabilidade,paresia),autonômicos(salivação,diarréia) e musculares(tremores e fasciculações).
Outra emergência médica,que pode causar convulsão é o trauma encefálico,como a concussão e contusão.Sinais de hemorragia e choque mecânico são percebidos,como sangramento nos olhos,nariz e ouvidos.Uma epilepsia pode ser sequela de um trauma grave.
A epilepsia idiopática é rara e pobremente documentada em felinos.Seu diagnóstico é por exclusão.Geralmente inicia-se em animais jovens(até 5 anos) e as crises convulsivas começam discretamente,mas aumentam a frequência subitamente.Não há anormalidades nervosas ou oculares.Então um exame neurológico,ocular e do LCR é fundamental.
O principal fármaco utilizado no tratamento de estados convulsivos em felinos é ainda o fenobarbital.A gabapentina está demostrando bons resultados em alguns quadros resistentes.O brometo de potássio é CONTRA-INDICADO em gatos,podendo gerar sérios problemas respiratórios e morte.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Doença Inflamatória Intestinal


Quadros digestivos intratáveis, com pobres respostas aos fármacos mais comumentes utilizados, principalmente com apresentação de vômitos frequêntes e fezes amolecidas, devem ser investigados em relação a Doença Inflamatória Intestinal.
Nenhuma etiologia específica foi identificada como causadora da doença, mas é consenso que existe
uma susceptibilidade imunológica individual do indivíduo em desenvolver esse quadro inflamatório, basicamente o enfermo cria uma intolerância ou uma reatividade anormal à própria microflora intestinal, desencadeando todas as disfunções digestivas.
O sintoma principal é o vômito crônico, emagrecimento e caquexia. Comumente ocorre a diarréia, que poderá ser bem grave e volumosa, com sangue ou tenesmo, dependendo da região intestinal mais afetada. Pode ocorrer episódios de anorexia ou até polifagia.
O diagnóstico diferencial do vômito em felinos, por si só, é bem amplo. Corpo estranho, hipertireoidismo, parasitismo intestinal, gastrite crônica,l infoma, sensibilidade alimentar, disfunções renais e hepáticas, tudo isso deve ser bem avaliado para determinarmos o diagnóstico. Além de um perfil bioquímico, é necessário uma avaliação do estado FIV/FeLV, dosagem de T4 total e, exames coprológicos seriados. A ultrassonografia pode ser bastante útil, principalmente verificando-se a espessura da parede intestinal, medidas acima de 3mm são sugestivas. O diagnóstico definitivo é através da biópsia, realizada preferencialmente por laparotomia, porque é importante que os fragmentos da amostragem incluam todas as camadas da parede intestinal, o que não é possível quando se utiliza o aparelho endoscópico para a retirada do material.
Estudos indicam que 30% dos gatos com sintomas de DIIC têm sensibilidade alimentar, portanto indica-se rações hipoalergênicas em todos os casos, favorecendo o controle dos sintomas. É importante também o controle parasitológico, muitas vezes uma giardíase não-tratada pode mimetizar toda essa sintomatologia, então um tratamento para helmintos e protozoários é fundamental.
A terapia farmacológica é o esteio do tratamento da DIIC. O uso de corticóides como a prednisolona é o mais indicado, como também outros imunosupressores, como o clorambucil.
A antibioticoterapia também é instituída, que com o uso destes, evidencia-se uma melhora clínica, o que fortalece a suspeita da participação na microbiota intestinal na etiologia da doença. Outro fármaco bem utilizado é a sulfasalazina,que age também como imunossupresor, interferindo na síntese de prostaglandinas.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Manejo dos Gatos Infectados por FIV/FeLV


Primeiramente, é claro afirmar que a decisão de tratamento ou eutanásia não deve-se basear somente na presença do vírus,outros fatores devem ser avaliados,como quadro clínico geral do paciente,doenças concomitantes,condições do proprietário(psicológicas,financeiras...) e fatores ambientais,dentre outras intercorrências.
De acordo com vários estudos,geralmente um animal positivo para estas retroviroses pode viver por alguns anos ainda,com os devidos cuidados,podendo até a sucumbir por outras causas não-relacionadas.Um FIV-positivo possui uma expectativa de vida em média de 5 anos após o diagnóstico.Um FeLV-positivo vive de 2,5 a 3 anos após o diagnóstico,e claro que em casos de dupla infecção essa expectativa diminue bastante.
Os gatos infectados não podem ter acesso à rua,devem ser mantidos confinados,assim,evita-se a contaminação de outros animais,mas também previne o soro-positivo da exposição à agentes patogênicos,principalmente bactérias e ectoparasitas do meio externo.
Uma boa nutrição é fundamental,baseada em rações felinas de qualidade,água abundante e filtrada,devendo-se evitar dietas caseiras a base de carne ou leite.
O programa de controle de ecto e endoparasitas deve ser frequente,visto as doenças que eles podem desencadear.
O veterinário deve ter o cuidado de marcar e incentivar os retornos periódicos destes pacientes.O exame clínico deve ser cuidadoso,dando maior atenção ao sistemas mais predispostos,como a cavidade oral,linfonodos ,pele, cavidade torácica,segmentos anteriores e posteriores dos olhos e sistema nervoso.O perfil hematológico também é importante,devido às alterações comuns causadas por estas enfermidades,que precisam ser logo detectadas.Além de bioquímica sérica,conhecendo-se os perfis renais e hepáticos, e a urinálise,que nunca deve ser esquecida.
A vacinação destes animais ainda gera muitas discursões,acredita-se que a resposta imune em relação à imunização é semelhante em soro-positivos e não-infectados,mas o recomendado é não usar vacinas com vírus vivos-modificados,e o programa de imunização deve conter apenas vacinas essenciais para o determinado paciente.
O esteio do tratamento é a prevenção e a cura das infecções oportunistas.Drogas imunosupressoras devem ser utilizadas com cautela,somente se necessárias.Cada caso é um caso,mas os imunoestimulantes são conhecidamente benéficos,como o interferon alfa humano e o interferon felino(ainda não disponível no Brasil).O AZT,anti-viral bastante conhecido,é o que mais beneficia o paciente,com melhoras visíveis na sintomatologia,principalmente nas lesões orais e neurológicas.

Para baixar:Feline Retrovirus Management Guidelines