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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Gatos Apavorados ou Zens:O Que Esperar do meu Gato?*






Por que gatos se comportam de forma bem diferente? Não estou falando de diferenças comportamentais discretas, diferenças notadas nos seres-humanos, por exemplo. Estou falando de animais que são tão diferentes que algumas pessoas desavisadas até acreditam que são animais de espécies ou subespécies diferentes. D. Josefa tem uma casa com um quintal bem grande e generosamente oferece comida para alguns gatinhos sem lar. Ela sempre comenta na fila do banco que coloca comida para dois tipos de gatos: os gatos “de verdade”, que inclusive tem até nomes e sobrenomes e, os gatos “do mato” que mal chegam perto e só comem quando D. Josefa se afasta e fica olhando da fresta da porta entreaberta. D. Josefa não acreditou quando conversamos sobre essa situação e ela foi avisada que os dois tipos são gatos domésticos (Felis silvestris catus). Não que isso fizesse alguma diferença para a nossa gateira dedicada, mas ela se interessou em saber o porquê deles serem tão diferentes. Nos consultórios veterinários e locais de banho e tosa, todos se tornam um pouco ansiosos quando um paciente felino é atendido pela primeira vez. Não sabemos se se trata de um gatinho amistoso e bastante simpático ou de uma fera indomável. Por que uns gatinhos são manipulados, examinados e submetidos a procedimentos cruentos com maior tranquilidade do que outros? A constituição comportamental, chamada erroneamente de personalidade, é construída a partir de uma serie de experiências ao longo da vida: uma experiência desagradável ou uma nem tanto, mas repetidamente vivenciada; o que observou durante a primeira etapa da vida; além de influências genéticas e circunstâncias vivenciadas durante a gestação. Porém, existe um período na vida dos gatos que chamamos de período de socialização. Esse período é marcado por transformar situações e indivíduos em elementos familiares para o resto da vida. Parece algo bastante obvio, mas não e bem assim. Muitos animais experimentam as vantagens e desvantagens do período de socialização, mas em gatos o processo é determinante para a formação da constituição individual. Gatos que foram socializados com cães amam cães e assim por diante. Encontramos gatos que foram socializados com roedores e cuidam desses animais sem jamais predá-los. Por que isso é importante para Médicos Veterinários? Por que ao invés de preocuparmo-nos com métodos de contenção físicos e químicos somente, devemos levar em conta todas as limitações dos gatos. Estabelecer expectativas reais para os gatos é o ideal. Gatos não socializados não devem ser mantidos confinados da mesma forma, não devem ser estabelecidos prognósticos semelhantes aos gatos socializados com seres humanos, por exemplo. Um gato não socializado com seres humanos que apresenta uma ferida extensa e que deve ser manipulado várias vezes ao dia não poderá ter um prognóstico semelhante ao gato socializado. Um hemograma do gato deve ser avaliado também pelo seu potencial de reatividade orgânica a um estresse da manipulação, que é completamente diferente em um gato socializado aos humanos e as situações clinicas do que o seu antípoda. Para terminar o post, a socialização em filhotes (pouco falada e praticada quase que inconscientemente) deve ser enaltecida tanto quanto a imunização e vermifugação em filhotes. Gatinhos até à 8a semana sem serem manipulados por humanos terão bastante dificuldade em serem manipulados por humanos ao longo de suas vidas. Até a próxima. Gostaria de agradecer a oportunidade que o prestigiado Doutor Reginaldo me concedeu. Abraços à todos os leitores.



*Todos agradecimentos ao colega de luta gateira,Carlos Gabriel Dias MV MSc PhD
Rio de Janeiro, RJ.
Medico Veterinário (UFRRJ) Mestre e Doutor em Ciências Veterinárias (UECE)
Carlos Gabriel Dias MV MSc PhD
http://www.clinicaparagatos.blogspot.com/
Muito prazer pelo post.

sábado, 3 de abril de 2010

Diagnóstico Diferencial de Convulsões em Felinos


Convulsões ocorrem devido a lesões irritativas nos neurônios da região proencefálica(tálamo-cortex),constatando-se uma perda de consciência,decúbito,movimentos tônico-clônicos,enrijecimento de mandíbula,espasmos faciais e sinais autonômicos(midríase,salivação,micção).Embora não seja tão frequente como nos cães,as inúmeras possibilidades etiológicas devem ser discorridas e compreendidas para o diagnóstico em um felino com convulsão.
As principais causas de convulsão em felinos são as encefalites,principalmente as virais,tumores e lesões por encefalopatias isquêmicas.As causas tóxicas,como envenenamentos,podem ser comuns,dependendo da região e estilo de vida do animal.Outras causas que devemos incluir são as nutricionais(deficiência de tiamina),meningoencefalites não-supurativas,infecções fúngicas e protozoárias e também traumas cranianos.Causas metabólicas e a epilepsia idiopática são raras em felinos.
Como nos cães,a convulsão pode se manifestar parcialmente,como sutis mudanças de comportamento,movimentos mastigatórios e repetitivos,tremores e diminuição propioceptiva dos membros,o que sugere lesão proencefálica focal.São as chamadas convulsões parciais.Com esta apresentação já podemos descartar uma epilepsia idiopática,tóxica ou metabólica.
As anomalias encefálicas congênitas não são comuns em gatos.A hidocefalia é a mais conhecida,mas geralmente é assintomática.Uma deformidade facial e cranial pode ser observada.Anormalidades mentais,deficiências visuais,hemiparesias,podem acompanhar as convulsões.Lisencefalia e cistos dermóides podem ocorrer também,com sinais progressivos,tipicamente em gatos com menos de um ano de idade.
A encefalopatia isquêmica felina ainda é pouco compreendida.A isquemia de tecidos cerebrais pode ocorrer devido à vasoespasmos de artérias cerebrais ou por migração de larvas de helmintos(Cutelebra).Classicamente o curso é superagudo,com sintomas unilaterais(hemiparesia,andar em círculo,perda de resposta postural).A convulsão surge como complicação,podendo aparecer meses depois do infarto cerebral.Mudanças comportamentais também são comuns.A análise do liquído cefalorraquidiano(LCR) geralmente é normal.O único meio de diagnóstico ante-mortem é por imagem cerebral,como a tumografia.
Meningoencefalite não-supurativa é uma outra causa possível de convulsão em felinos.Há sinais vestibulares,cerebelares,depressão e paresia.O curso é variável,pode agudo ou insidioso,progressivo ou regressivo.Acredita-se que infecções virais são causadoras da enfermidade.Herpesvirus e arbovirus são os suspeitos de desencadeiarem uma resposta autoimune contra as células nervosas,devido à estimulação antigênica.
O diagnóstico é feito através de análise do LCR,onde há um aumento moderado de proteínas,e por imagem cerebral.O tratamento é de suporte,com fluido e anticonvulsivantes.O uso do corticóide é controverso,em alguns casos a melhora é bem significativa,entretanto pode piorar em casos de viroses ativas.
As encefalites infecciosas formam um importante capítulo no diagnóstico diferencial de estados convulsivos em felinos.Infecções virais,como PIF e FIV,protozoários(toxoplasmose) e fungos(criptococose),podem causar infecções centrais graves.
A PIF é responsável pela maior porcentagem de encefalites infecciosas.Sintomas como "heald tilt",nistagmo,tremores intencionais,ataxia,paresia,com presença ou não de sinais sistêmicos,como febre,letargia,inapetência e sintomatologia ocular.As convulsões não ocorrem isoladamente,sempre haverá outro sintoma associado.O diagnóstico é pela anamnese(histórico,idade,estilo de vida do paciente),exame oftálmico,análise de LCR(alta concentração de proteínas).
Outras causas de encefalites infecciosas são a criptococose,FIV,toxoplasmose e raiva.A primeira geralmente é associada a descargas nasais,nódulos e ulcerações cutâneas,cegueira e alterações neurológicas.Na análise do LCR podem ser encontrados numerosos organismos fúngicos.A encefalopatia pela FIV geralmente é assintomática,podendo gerar anormalidades sutis no comportamento e quadros convulsivos.A toxoplasmose raramente se desenvolve como uma doença clínica em gatos,entretanto em alguns estados de imunosupressão pode ocorrer um quadro de pneumonia,hepatite ou pancreatite.Sinais oculares são comuns,além de febre,inapetência e miosite.O diagnóstico ante-mortem é difícil,em casos suspeitos recomenda-se iniciar o tratamento com clindamicina.
Convulsões acompanhadas de mudanças comportamentais superagudas,agressividade e medo,com progressão rápida para paralisia e morte,deve-se suspeitar de raiva felina,tomando-se todos cuidados epidemiológicos.
Os tumores encefálicos também são importantes no diagnóstico possível de convulsão em gatos.Geralmente ocasionam sinais focais progressivos(mudanças de personalidade,depressão,hemiparesias,perda parcial da visão e sensação facial).O animal é geralmente de meia-idade a idoso.O diagnóstico é principalmente por imagem.
Problemas metabólicos também devem ser considerados em felinos convulsivantes,embora não sejam comuns como nos cães.A encefalopatia hepática,deficiência de tiamina,hipoglicemia e hipocalcemia são os mais importantes.A primeira geralmente ocorre como eventos episódicos,quase sempre disparado após uma alimentação rica em proteínas.Sintomas bem evidentes são a hipersalivação e comportamentos bizarros.É um distúrbio bem comum em animais com "shunt" portossistêmico,com os primeiros sinais já no primeiro ano de vida.
Felinos com sintomatologia nervosa,consumindo dietas pobres e desbalanceadas,ou estritamente à base de peixe,são suspeitos de deficiência de tiamina.A ventroflexão do pescoço e opistótono são marcantes.
A hipoglicemia sintomática é incomum em gatos,só é vista em animais diabéticos tratados com superdosagem de insulina,ou com tumores secretórios de insulina ou ainda em sepsis.A hipocalcemia também é rara.Fasciculações musculares,tremores e tetania são evidenciados.Gatos bitireoidectomizados podem entrar em quadro hipocalcêmico no pós-cirúrgico.
Os felinos,por seu paladar seletivo,possuem uma menor facilidade em ingerir tóxicos,diminuindo a chance de envenenamento.Entretanto,raticidas e produtos tópicos utilizados para o controle de ectoparasitos podem causar intoxicações.Os sintomas são variáveis,dependendo da dose e da substância ingerida.Geralmente as convulsões são graves e de difícil controle,associadas a sinais centrais(depressão,hiperexcitabilidade,paresia),autonômicos(salivação,diarréia) e musculares(tremores e fasciculações).
Outra emergência médica,que pode causar convulsão é o trauma encefálico,como a concussão e contusão.Sinais de hemorragia e choque mecânico são percebidos,como sangramento nos olhos,nariz e ouvidos.Uma epilepsia pode ser sequela de um trauma grave.
A epilepsia idiopática é rara e pobremente documentada em felinos.Seu diagnóstico é por exclusão.Geralmente inicia-se em animais jovens(até 5 anos) e as crises convulsivas começam discretamente,mas aumentam a frequência subitamente.Não há anormalidades nervosas ou oculares.Então um exame neurológico,ocular e do LCR é fundamental.
O principal fármaco utilizado no tratamento de estados convulsivos em felinos é ainda o fenobarbital.A gabapentina está demostrando bons resultados em alguns quadros resistentes.O brometo de potássio é CONTRA-INDICADO em gatos,podendo gerar sérios problemas respiratórios e morte.

terça-feira, 2 de março de 2010

Vocalização Excessiva


A vocalização excessiva se caracteriza pelo o aumento da intensidade, frequência e/ou tonalização dos miados do animal.Pode ser um comportamento normal de determinadas raças orientais,como o siamês,mas muitas vezes consiste em um sinal de patologia orgânica ou comportamental.
Uma necessidade de contato social,atenção ou comida(dietas hipocalóricas?) pode explicar este comportamento em algumas ocasiões,mas muitas vezes é preciso uma história e exame clínico completo para se determinar a causa do exagero na vocalização.
Ansiedade,estresse por separação e ambiente pobre em estímulos pode levar o felino a esse comportamento.Disfunções orgânicas como lesões no hipotálamo e hipocampo,doenças dolorosas,como enfermidades urinárias e digestivas, também devem ser consideradas.
Um distúrbio bem comum é encontrado em animais idosos,um tipo de depressão senil,caracterizada pela degeneração cerebral e alteração da atividade de neurotransmissores,com consequente redução da função perceptiva e cognitiva do felino,gerando vocalizações principalmente à noite.Em animais geriátricos,o hipertireoidismo deve ser incluído também no diagnóstico diferencial.
Portanto uma anamnese completa é fundamental.O histórico comportamental,tipo de alimentação,estado nutricional, ciclo estral(fêmeas),qual foi a mudança na vocalização e se possível o registro ou filmagem pelo proprietário,o que facilita muito.
O exame hematológico e bioquímico também deve ser realizado,assim como a aferição da pressão arterial e dosagem de t4.Um aumento do apetite,emagrecimento e comportamento ansioso é muito sugestivo de hipertireoidismo.
Gato com mais de doze anos,principalmente siamês,com quadro clínico e laboratorial normal,e com distúrbio de vocalização excessiva,é um forte suspeito a sofrer de degeneração senil.Geralmente há uma mudança nos ciclos de sono-vigília,diminuição da interação social,desorientação e desaprendizagem de comportamentos habituais.
Traumas,problemas urinários e articulares podem ser melhorados com anti-inflamatórios,podendo-se utilizá-los como ferramentas diagnósticas.
O tratamento ,consequentemente, depende da etiologia.Quadros comportamentais podem ser resolvidos removendo-se as causas de ansiedade ou fornecendo uma rotina regular e previsível para o felino,com alimentação e brincadeiras em horários definidos,além de um enriquecimento ambiental(esconderijos,arranhadores...).
Fármacos antidepressivos tricíclicos,ansiolíticos e inibidores da MAO são bem prescritos.Dentre eles a Seleginina e a Clomipramina se destacam.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Dermatites Psicogênicas




Dermatopatias relacionadas a problemas comportamentais estão tornando-se muito comuns na clinica diária.Entretanto o diagnóstico pode ser difícil,sempre se posicionam no último degrau do diagnóstico diferencial.Conhecimentos atuais sobre o comportamento dos felinos,novas técnicas dermodiagnósticas e o surgimento de novos fármacos facilitam o clínico a chegar a um quadro conclusivo.
Quatro substâncias estão intimamente ligadas a problemas comportamentais.Todas são importantes neurotransmissores responsáveis pela regulação do SNC,organização,adaptação e assimilação do indivíduo em relação ao meio que o cerca: a dopamina,noradrenalina,serotonina e GABA.
A dopamina está envolvida na regulação da atividade motora,excitação e agressão.Sinais de estimulação dopaminérgica são:ptialismo,diarréia,agressividade,comportamentos estereotipados,diminuição do sono e ingestões aberrantes.
A noradrenalina e a adrenalina são responsáveis pela modulação da vigilância,a sensibilidade e a reação do organismo às mudanças ambientais.Estados de ansiedade,taquicardia,taquipnéia,micções emotivas e hipervigilância são os sinais mais comuns de disfunção deste sistema.
A serotonina é o hormômio do equilíbrio,reduz a sensibilidade da pele,a dor e o prurido.Importante para o comportamento social normal,aprendizado,capacidade de concentração e memória.A deficiência desta causa estados depressivos e graves quadros pruriginosos.
O GABA(ácido gama-aminobutirico) praticamente têm ação inibitória sobre os outros sistemas,com regulação motora,sensorial e cognitiva.
Qualquer desequilíbrio entre estes sistemas provoca respostas comportamentais patológicas.O stress ,depressão e estados ansiosos por deprivações e isolamento,ou disputas territoriais desencadeiam uma cascata de eventos,virando a chamada bola-de-neve.Quando o animal passa a se lamber,ele estimula a liberação de serotonina ,na tentativa de diminuir a percepção nociceptiva,liberando também a endorfina,o que dá uma sensação de alívio e bem-estar.Este círculo vicioso:lamber,mordiscar e coçar,pode se perpeturar,gerando problemas comportamentais estereotipados(corridas,mordiscamento de unhas,cauda) e de hipersensibilidade,como a hiperestesia dorso-lombar e intolerância ao carinho.
Os sintomas clinicos são: alopécia auto-induzida,com pêlos de aspecto quebrado,podendo ser simétrica,afetando abdomen ventral,flancos,costas e faces das coxas.Geralmente com a cronificação dos sintomas surgem eritemas e erosões cutâneas.A alopécia pode ser focal,quando o gato lambe ou até mesmo chupa partes delimitadas do corpo,como membros dianteiros,cauda,tronco,omoplatas,flancos,desenvolvendo o aspecto de dermatite acral.Lambeduras insistentes no nariz podem desenvolver erosões triangulares no plano nasal e úlceras indolentes nos lábios.
Sinais mais dramáticos podem ser visualizados em casos mais graves,como mutilação e necrose de tecidos,principalmente a cauda,e o arrancamento de unhas.
Quase sempre o animal afetado apresenta sintomas não-dermatológicos associados,o que é importante para a diferenciação do diagnóstico.Distúrbios comportamentais causam alterações somáticas perceptíveis como:taquicardia/taquipnéia,diarréia,bulimia.Sinais de ansiedade,como corridas,mordiscadas e agressividade ou inibição profunda(estado depressivo).
O plano diagnóstico deve ser minucioso,começando com uma rica anamnese,estudando o ambiente e os contactantes possiveis,alterações no diário do animal,alimentação,comportamento de eliminação,etc.Exames laboratoriais são fundamentais,por que doenças parasitárias e alérgicas são bem mais comuns do que as comportamentais,o que não proíbe também de ocorré-las concomitantemente.Portanto uma pesquisa de ectoparasitas e fungos,cultura fúngica,citologia e até biópsia devem ser consideradas.
O tratamento deve ser basicamente o comportamental,mesmo não chegando a uma causa direta,o comportamento alterado deve ser desestimulado,por exemplo,no início de uma lambedura,começa-se um jogo ou brincadeira com o gato,desviando sua atenção.O ambiente onde vive deve ser enriquecido ao máximo,com movéis e brinquedos.Animais depressivos devem ser estimulados a sair e conhecer novos ambientes externos,estimulando a curiosidade.Muitos gatos não devem ser acariciados,o que pode estimular agressividade e a sensibilidade local.
Infelizmente,na prática, sem o tratamento com fármacos a possibilidade de cura é mais difícil.Podem ser prescritos ansioliticos e antidepressivos,destacando o diazepam,selegilina,fluorexina e amitriptilina.O Feliway é sempre recomendado para o acondicionamento do felino,em todos os problemas comportamentais.




quarta-feira, 15 de abril de 2009

Medicina Comportamental:Agressividade


Um gato agressivo é um sério problema,para nós,para proprietários e para eles mesmos.Um sério transtorno que muitas vezes pode ser evitado conhecendo-se o comportamento normal do felino,sabendo-se como evitar os desvios patológicos.Além disso,há uma possibilidade de transmissão de zoonoses através de mordidas e unhadas,o que fortalece o tratamento e prevenção desses atos.

A Falta de Socialização como Causa de Agressão:
Gatos que não tiveram o contato com seres humanos durante o período crítico de aprendizagem,que é do nascimento até cerca de 14 semanas,terão grandes chances de não se adaptarem ao convívio humano,tornando-se um agressor em potencial.Sabe-se que mínimos carinhos em filhotes,diariamente,os deixam mais aptos a uma socialização mais tranquila,e eles conseguem interagir mais rapidamente com o ambiente,de uma maneira mais suave e pacífica.
É importante que o convívio seja com adultos e crianças desde cedo,estimulando-os com jogos e brinquedos,mas nunca com as mãos ou pés.As manipulações devem também imitar os cuidados de higiene,como a escovação dentária,limpeza das orelhas,dos olhos,corte de unhas,tudo isso para facilitar essas operações mais tarde,na vida adulta.
A interação com outros gatos e animais de outras espécies deve ser iniciada o quanto antes também.A gata mãe e outros adultos,se presentes, têm papel importante na moderação do filhote,estes aprenderão a controlar a força das suas mordidas,aprenderão o que é a frustração,ou o "não" verdadeiramente dito,como nos períodos em que a mãe faz o desmame.Sem esse contato,o filhote pode se tornar bem impulsivo e nervoso.

A Dor e a Agressividade:
Muitas vezes,o comportamento que muda para uma agressividade inexplicada,deve-se a afecções que causam dores,tornando o felino mais sensível e relutante ao contato social.Condições dolorosas,como problemas dentários,artrites,doenças de discos vertebrais,infecções de glândulas perianais,meningiomas ,podem torná-los impossíveis de manipulação e até causar agressão a outros gatos ou proprietários.Toda a alteração súbita de atitude felina,deve ser logo minuciosamente investigada.

Comportamento Predatório:
Esse é inato de todo felino,praticamente bem difícil de evitá-lo,porém,mais uma vez a socialização e interação bem precoce é fundamental.Pássaros pequenos e outros animais devem ser apresentados o mais cedo ao filhote.Deve-se evitar a saída dos gatos para ambientes externos,diminuindo o ataque à presas de fora.

Agressão Entre Gatos:
Os nossos felinos domésticos podem competir entre si por vários motivos:alimentação,fêmeas,liteiras, e território principalmente.Comumente ocorre na introdução de novos membros na comunidade,ou quando um gato fica ausente por determinados períodos e volta,como no caso de internamentos ,banhos e hospedagens.Entretanto podemos nos depararmos com proprietários aflitos,relatando que "eles sempre viviam como irmãos" mas agora parecem "gato-e-cachorro".Esses distúrbios podem ser evitados com a introdução gradativa dos recém-chegados,colocando-os em recintos separados,controlando o contato.O uso de ferormônio,artificial ou natural,é bem interessante,pois diminui a ansiedade e o nervosismo.
Todos os recursos e itens como liteiras e fontes de água e alimentos ,devem ser bem distribuídos e em quantidade proporcional ao número de indivíduos,evitando-se a competição.
O tratamento da agressividade em gatos baseia-se em fármacos ansiolíticos e antidepressivos,remanejo ambiental e ferormônios,mas nunca separado do recondicionamento social,que abordaremos posteriormente.