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domingo, 23 de outubro de 2011

*Enfermidade do Trato Urinário Inferior dos Felinos:Um guia para proprietários


A doença do trato urinário inferior dos felinos(DTUIF) consiste numa variedade de condições que afetam a bexiga e uretra dos gatos.Geralmente os gatos que são afetados por esta enfermidade apresentam dificuldade e dor ao urinar,aumentam a frequência em urinar e também pode haver sangue na urina.Eles tendem a aumentar a lambedura na região do pênis ou vagina e podem apresentar alterações no comportamento,como micção fora da caixa-de-areia,preferindo superfícies frias e lisas,como azulejos e banheiros.
O problema pode afetar gatos de todas as idades,entretanto,animais de média idade,com sobrepeso,sedentários,que alimentam-se de dieta seca,sem acesso externo,são os mais comumente afetados.Alguns fatores como estresse emocional ou ambiental,famílias com vários gatos,mudanças bruscas no dia-a-dia do gato,aumentam o risco do desenvolvimento da DTUIF.
Os principais sintomas são:Esforço para urinar,mantendo-se em posição agachada,sem expelir nada de urina,o que muitas vezes pode ser confundido com constipação ou dificuldade em defecar.Urinar em pequenas quantidades e frequentemente;Dor e choro ao urinar;Lamber-se excessivamente na região genital;Sangue na urina e micção em lugares inapropriados.
Um estágio mais grave da DTUIF é a obstrução uretral,que é o fechamento da passagem de urina da bexiga até o exterior,cujo os sinais são semelhantes,porém o gato não urina quase nada e mantêm-se mais moribundo e dolorido.A obstrução acontece mais em machos,visto que a uretra da fêmeas é de diâmetro mais largo.É importante perceber um quadro de obstrução uretral rapidamente,pois o animal sempre merecerá um tratamento emergencial.
As causas são variadas:Obstruções por cálculos,microcálculos ou" plugs",estes últimos são formados na bexiga pela deposição de microcristais e material inflamatório protéico,o que formam verdadeiros tampões na uretra;Cistite Idiopática Felina,que é uma alteração inflamatória na parede da bexiga,muito associada ao estresse,onde ocorre uma inflamação generalizada na mucosa do orgão,com sangramento,dificultando a contração e a eliminação da urina.Infecções urinárias não são comuns,devido às particularidades da urina do felino,como a alta densidade e osmolaridade,que impede o crescimento de bactérias.Porém,em animais idosos ou com problemas renais devem ser consideradas.
O tratamento depende da causa da DTUIF,mas consiste principalmente em anti-inflamatórios,mudança de manejo ambiental e dietético, e muita hidratação.Em casos mais graves como os obstrutivos, o animal poderá ser internado para sondagens e soroterapia intensiva.Em alguns quadros mais graves e repetitivos,poderá ser necessário um procedimento cirúrgico denominado "uretrostomia",que é uma nova abertura uretral,com amputação peniana.É muito importante levar o gato rapidamente ao veterinário,evitando dar medicações,pois qualquer erro ou demora as consequências podem ser fatais.
Existem algumas formas de prevenir e tentar diminuir as crises ou o aparecimento desta enfermidade,que consistem em medidas simples,como:Aumentar a frequência de alimentação,em pequenas quantidades diárias;Consultar a um médico-veterinário para conhecer a dieta mais indicada para seu felino;Preferencialmente oferecer dietas úmidas(enlatadas);Água fresca e abundante em várias partes do ambiente;Quantidade de liteiras compatível e suficiente para todos os gatos da casa,preferencialmente uma a mais que o número de habitantes.Estas caixas-de-areias devem permanecer limpas e em lugares tranquilos e seguros.Deve-se evitar mudanças ambientais bruscas e minimizar todo o tipo de estresse.O enriquecimento ambiental é também importante,devendo-se proporcionar alternativas,jogos e atividades para os animais.

*Baseado no informativo da American Veterinary Medical Association(www.avma.org)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Participação do Estresse na Cistite Interticial e o Uso de Ferormônios Sintéticos como Coadjuvantes na Terapia


O caráter neurogênico da cistite interticial felina já é quase um consenso.Sabe-se que o distúrbio é bem semelhante à cistite humana e que em ambas ,tanto em gatos como em humanos,as situações estressantes agravam ou desencadeiam os sintomas.
Alterações no diário do felino como viagens,hospedagens,internamentos,mudanças no ambiente físico,disposição e localização de liteiras,entrada de novos animais ou humanos,tudo isso pode ocasionar o disparo de um quadro de cistite.
Já está comprovado que felinos que sofrem de cistites reincidivantes, possuem um maior número de fibras nervosas simpáticas nas camadas mucosa e muscular da bexiga.Além de um aumento da noradrenalina circulante, tanto em repouso como em estados excitatórios.Estas fibras eferentes simpáticas interagem com fibras sensoriais da mucosa vesical,responsáveis pela liberação da substância P ,que é um neuropeptídeo capaz de causar ativação e degranulação de mastócitos.Estes ativados,liberam compostos inflamatórios e vasoativos,resultando nos sintomas clássicos de doença do trato urinário inferior dos felinos,como a hematúria e estrangúria.
Portanto,todo tipo de melhora no manejo e no bem-estar do felino que sofre desta enfermidade é bem-vinda.Aumentando a chance de sucesso terapêutico e diminuindo as reincidivas.
A formulação sintética do hormônio facial felino(Feliway) foi desenvolvido para diminuir a ansiedade relacionada ao comportamento dos gatos.Situações como marcação territorial por urina ou arranhaduras são reduzidas,principalmente por diminuição da vigilância do felino,em consequência de uma percepção mais "amigável" de seu ambiente.Esta redução da vigilância provavelmente esteja relacionada à diminuição da ativação do sistema nervoso simpático,assim,o ferormônio pode ser utilizado para gatos com cistite interticial,reduzindo esse impacto do estresse sobre o desarolho da doença.Ele é um componente valioso dentro da terapêutica desta enfermidade,muitas vezes associando-o com um enriquecimento ambiental.
É necessário destacar a multifatorialiedade da cistite interticial felina,seu tratamento deve ser baseado nisto.Outras medidas como mudança na consistência da dieta,fármacos antidepressivos,anti-inflamatórios e GAG's, podem ser integradas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

FLUTD:O ABC do Felino Obstruído


Sabemos que a doença do trato urinário inferior dos felinos possui várias etiologias,mas o quadro emergencial é bem característico e comum.
Quando nos deparamos com um felino obstruído,muitas vezes pensamos logo em anestesiá-lo e sondá-lo o quanto antes.Esquecemos que o mesmo pode estar a dias sem urinar,com um grande desequilíbrio eletrolítico,alta desidratação,com uma insuficiência renal aguda e o pior,prestes a um colapso cardíaco devido a hipercalemia.
Entretanto,a primeira lembrança deve ser o ABC de emergência:"A" de ar(via aérea patente),"B"(boa respiração) e "C'(circulação).Rapidamente os parâmetros vitais devem ser verificados como a coloração das mucosas,a frequência cardio-respiratória e pulso.O animal deve receber oxigênio direto via máscara,tenda com um colar-elizabetano ou em uma câmara.
A fluidoterapia deve ser instituída prontamente,indica-se normalmente a solução fisiólogica ou ringer-lactato para a ressuscitação,aumentando a perfusão renal.O ideal é que o paciente seja acompanhado por eletrocardiógrafo e aferição de pressão central,evitando assim uma sobrecarga de fluido e íons.
O próximo procedimento, que é de suma importância,consiste na cistocentese,que deve ser feita antes de qualquer manobra de desobstrução uretral.O método é simples e dificilmente acarreta complicações,em vista que a bexiga nesses casos é facilmente palpável.Somente com a retirada desta urina represada na vesícula e com a soroterapia bem assistida,podemos salvar a vida de um felino obstruído,por que assim damos condições de os rins voltarem a "funcionar",diminuindo os danos da azotemia pós-renal outrora instalada.
Concluindo-se esta primeira etapa emergencial,podemos preparar a sondagem vesical.Para isso nosso paciente deve estar sedado ou anestesiado superficialmente,nunca deve-se tentar esse procedimento "a força",somente com contensão física,jamais!Pois a chance de perfuração e laceração uretral e peniana é grande.O proporfol é muito bem recomendado,mas pode-se utilizar anestésicos voláteis e dissociativos em doses mínimas.
O processo deve ser o mais asséptico possível,lavando-se previamente a região com soluções degermantes e usando-se luvas estéreis,diminuindo-se o risco de infecções urinárias iatrogênicas.O procedimento deve ser feito com cautela e paciência,não é necessário usar de força.Uma massagem na uretra peniana é importante,a maioria das obstruções ocorrem nessa área,podendo assim facilitar o desalojamento de tampões.Com um gel lubrificante a base de água,introduz-se a sonda gradativamente,o pênis deve ser extendido em direção caudal para que fique paralelo ao eixo da coluna vertebral,para assim diminuir a curvatura normal da uretra felina.Sentindo-se resistência,injetamos solução salina para a remoção de microcálculos e/ou plugs.
Na maioria dos casos,a sonda deve ser fixada.Dependendo do quadro de estrangúria,ela pode permanecer por até 48 horas.Durante este período a bexiga deve ser" lavada" com solução salina.É necessário que no período de pós-obstrução a fluidoterapia seja continuada ,com o cuidado de acrescentar o cloreto de potássio às soluções,combatendo à hipocalemia pós-obstrutiva.
Nos casos em que a sondagem não logrou éxito,a cistocentese pode ser repetida até duas vezes por dia,por no máximo 3 dias,até que que a manobra definitiva, cirúrgica ou não,possa ser realizada.
O controle da dor é fundamental,o Tramadol é muito bem utilizado.Cuidado com os anti-inflamatórios não esteróides,é muito perigoso usá-los em gatos obstruídos devido à debilidade da função renal.O ideal que se espere alguns dias para entrar com um protocolo à base de DAINES,caso necessário.Corticóides como a prednisona ,podem ajudar em casos de extrema inflamação uretral e estenose,entretando também podem piorar o quadro de disfunção renal e predispor o animal à infecções urinárias oportunistas,um gato enquanto sondado não pode receber corticóide.
Os antibióticos foram muito usados antigamente,mas atualmente sabemos que apenas 2% dos casos de FLUTD são devidos à infecções,comumente a urina é asséptica.A hematúria é devido a inflamação e a vasodilatação na mucosa da bexiga e não a processo infeccioso.Se o processo de sondagem foi com todos os cuidados de higiene ,não há motivos para a antibioticoterapia.Se houverem dúvidas em relação a isso,o recomendado é iniciar o fármaco depois da retirada da sonda,podendo-se basear em um resultado de cultura urinária.
Sabemos que todos nós poderemos ter vivências diferenciadas,com protocolos distintos e opiniões diversas.Mesmo não seguindo-se os guias(guideliness)recomendados pelos inúmeros estudos podemos ainda salvar vidas,porém,se os seguimos salvaremos muito mais!
O importante é conhecer também a multifatorialidade desta síndrome,sabermos as etiologias possíveis e investigar cada caso,trabalhando com a anamnese,exame clínico,laboratoriais e de imagens.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Apontamentos sobre FLUTD


Os termos “Síndrome Urológica Felina”(SUF) e “Doença do Trato Urinário Infe-
rior de Felinos”(DTUIF) têm sido usados para relatarem uma constelação de sinais clí-
nicos associados à micção difícil nos gatos,mas sem a identificação de uma causa sub-
jacente.
A maioria dos gatos com DTUIF sofrem de cistite interticial idiopática,mas uro-
litíases,más-formações anatômicas,distúrbios comportamentais,problemas neurológicos,
infecções bacterianas e neoplasias podem também ocorrer,embora mais raramente.Inde-
pendente da etiologia,os sinais clínicos são similares e incluem disúria,estrangúria,he –
matúria(macroscópica ou microscópica),polaciúria e periúria(micção em locais inapro –
priados).
Uropatia obstrutiva ou não-obstrutiva são conceitos que também podem ser utili –
zados para classificar a DTUIF.A obstrução uretral em fêmeas é rara,e muito comum
em gatos machos,mas acredita-se que a doença não-obstrutiva é tão comum em machos
como em fêmeas.O diâmetro da uretra e a frequência de uropatia obstrutiva não diferem
entre machos castrados e intactos.
Doenças do trato urinário inferior são comuns em animais confinados em ambien-
internos(indoor) e que vivem com outros gatos.Por isso,a influência de distúrbios com –
portamentais e interações com outros animais,no desenvolvimento da DTUIF,não po –
dem ser desprezadas.Muitos estudos associam a doença à fatores ambientais,como mudan-
ça na interação com proprietários,mudanças na rotina,alto número de contactantes em
recintos pequenos,viagens e deslocamentos recentes.
O peso corporal e a dieta também são fatores de risco para o felino.Gatos obesos e
sedentários possuem uma incidência maior de DTUIF,assim como aqueles cuja dieta é
baseada em rações secas e que ingerem pouca água.
A maioria dos animais afetados são apresentados na idade de 2 a 6 anos,e é inco-
mum em gatos com menos de 1 ano e superior a 10 anos.
O diagnóstico pode ser feito através de exames rotineiros como urinálise,cultura
urinária,radiografias simples ou contrastadas,ultra-sonografia ou até uroendoscopia,pa –
ra identificar a etiologia.As causas mais comumente encontradas são a cistite interticial
(55 a 69%) e urolitíase(13 a 28%).A infecção urinária só é encontrada em apenas cerca de 2% dos casos.
A importância em se buscar a etiologia é evitar as complicações,até mesmo iatro-
gênicas,e diminuir as recorrências,que podem ser altas,como cerca de 45% após 6 meses em gatos machos com obstrução urinária e até 39% após 1 ano em animais com uropatia
não-obstrutiva.
Muitos casos de DTUIF podem ser tratados com sucesso,usando-se cuidados pri-
mários como instituindo-se ou melhorando a hidratação,e o remanejo ambiental.Geral –
mente os sinais clínicos resolvem-se com 7 dias.Houvendo persistência dos sintomas ou recorrência em curtos períodos,deve-se avaliar o caso com exames complementare de i-
magem e urinálise ,enriquecer ainda mais o ambiente do paciente,diminuindo também
qualquer tipo de estresse e encorajá-lo à ingestão de água e alimentos úmidos.Depen –
dendo da etiologia,podemos lançar mão de anti-inflamatórios e analgésicos,terapia com
ferormônios,ansiolíticos e até glicosaminoglicanos.Antibióticos dificilmente serão ne –
cessários,visto que a infecção bacteriana do trato urinário em felinos é incomum,princi-
palmente em animais jovens.Estes,só serão recomendados quando diante de uma cultura
urinária bacteriana positiva.
Para download temos um trabalho excelente da Vet Clin Animal Practice,em inglês,e uma revista espanhola de uma abordagem muito boa.Dois materiais que se completam e nos educam.

Atualização FLUTD
Afecções Urinárias em Felinos