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segunda-feira, 28 de março de 2016

Doença Renal Crônica: O que fazer para prolongar a vida do nosso amigo?





A DRC, ou doença renal crônica, é uma das enfermidades que pode acometer qualquer raça, sexo ou idade, no entanto, animais mais velhos desenvolvem a doença com maior freqüência. Estima-se que até 40% dos gatos a partir de 10 anos de idade desenvolverão algum grau de doença renal, sendo a causa morte em mais de 13% de animais com média de 15 anos. Assim, não dá para fechar os olhos para ela, e o pior, muitas vezes é silenciosa. Será que você tem certeza do "status renal" do seu bichano? Já parou pra pensar nisso?
-Importancia do rim:
Os rins te uma grande importância para manutenção da homeostase portanto a diminuição da função renal, implica no comprometimento de todos os órgãos. O grau de filtração glomerular é a principal forma de avaliação da função renal. A  diminuição progressiva da filtração indica um quadro de doença renal crônica e gera uma perda das funções regulatórias, excretórias e endócrinas do rim.
-Porque é tao comum em gatos?
A maioria dos casos de insuficiência renal crônica não tem causa específica.  Várias causas são apontadas para explicar a prevalência tão grande da DRC em gatos: A alimentação restritamente seca pode ser importante fator, já que a diminuição da ingestão hidríca pode afetar o fluxo sanguíneo renal, entretanto não explica completamente toda essa casuística. Substâncias ou medicamentos administrados em algum período da vida do animal podem causar um injúria renal, iniciando o processo tóxico ou inflamatório nas células renais, desencadeando a degeneração dos glomérulos e tubúlos renais, principalmente. Processos infecciosos, como infecções pelo FIV (Aids felina), ou infecções bacterianas, podem causar uma resposta inflamatória sistêmica, gerando várias substâncias inflamatórias que se depositarão no tecido renal, podendo ser também fatores de lesão renal inicial. Existe também a possibilidade de doenças congênitas, que sucubem na DRC, como a presença de cistos no parênquima renal (Doença Renal Policística), mais comum em gatos de raça pura, como os persas. Entretanto, na realidade, na maioria dos casos não conseguimos identificar o fator inicial, assim, é fundamental descobrirmos o mais prontamente e principalmente prevenirmos na maneira do possível.
-Sinais clínicos
Os primeiros sinais clínicos que o nosso gatinho pode apresentar são inespecíficos, mas principalmente a perda de peso e vômitos, em animais a partir de 8 anos de idade, são bastante sugestivos. A poliúria e polidipsia, ou seja, o aumento do consumo de água e do volume urinário, são sinais também de DRC, porém muito mais tardios. O agravamento pode gerar problemas como úlceras, anemia, infecções oportunistas, alterações cardiacas e cegueira.

-Diagnóstico
O medico veterinario deve realizer uma anamnese detalhada, além de realizar exames clínicos e laboratoriais periódicos, incluindo principalmente o hemograma, creatinina sérica, sumário de urina e relação proteína/ creatinina urinária. Outros exames complementares que podem ser realizados são cultura da urina, radiografia, ultra-sonografia, e afericao da pressão sanguínea.  Assim, temos condições de diagnosticar precocemente o doente renal.
-Tratamento
O tratamento irá depender do grau da insuficiência renal, determinado pelo painel de exames, mas fundamentalmente a alimentação e a hidratação são os esteios da terapêutica da DRC. O paciente renal tem uma grande perda proteica, consumindo massa muscular, assim a nutrição é um fator preditivo importante, sendo a baixa de peso muito correlacionada a prognóstico ruim. O ideal é que se forneça ração específica para doente renal, porque estas possuem uma quantidade e qualidade recomendada de proteínas, além de baixo níveis de fósforo. Entretanto, muita atenção e cuidado nesta fase de troca de alimentação, muitos gatos não aceitam facilmente a nova dieta, e alguns não aceitarão nunca. Portanto, é importante o bom senso, gato não pode ficar sem comer. Muitas vezes temos que manter a alimentação rotineira e mudarmos gradativamente. Isto é verdade também em pacientes internados ou totalmente anoréxicos, que nauseiam facilmente, sendo inútil forçar a alimentação. Nestes pacientes, não podemos esquecer de colocarmos sondas alimentares, nasogástricas ou esofágicas, lembrando que fluidoterapia não alimenta ninguém.A hidratação do paciente, em casos iniciais pode ser feito na própria casa, por vial oral ou até por via subcutânea, sendo um procedimento simples que muitos proprietários podem fazer, com um pouco de treinamento e obedecendo as indicações do veterinário.-Prevenção É a base de uma medicina mais eficaz e inteligente. Recomenda-se a realização de ultrassonografias periódicas, principalmente em felinos idosos, como também em raças predispostas a doenças genéticas, podendo-se detectar alterações precocemente.

O ideal é que se forneça mais água e alimentos úmidos, aumentando a ingesta de líquidos, favorecendo o fluxo renal. Deve- se ter muito cuidado com a administração de medicamentos aos nossos gatos, muitas substâncias oferecem riscos à saúde renal , incluindo antibióticos e antiinflamatórios bem comuns. Assim, é fundamental o acompanhamento de um veterinário preparado, que juntamente com a dedicação do tutor, consegue-se o prolongamento da vida do paciente renal, com  boa qualidade de vida, o que é o mais importante.

domingo, 24 de agosto de 2014

Obstrução Uretral



            A obstrução uretral em felinos é  um quadro emergencial que necessita de uma intervenção rápida, já que pode levar ao óbito do paciente. O tratamento deverá se basear no controle da dor do paciente, na correção dos efeitos sistêmicos da uremia e prevenção das recidivas. Essa obstrução pode ser atribuída aos urólitos e plugs (mais comum em gatos), à infecção, à neoplasia, a trauma ou a causas iatrogênicas.
            Os sinais clínicos apresentados por gatos obstruídos dependem da duração da doença e do grau da obstrução, mas normalmente pode-se observar várias tentativas para urinar, com emissão de pouca urina em diversos locais e com coloração avermelhada ou mesmo a não emissão de urina.Vale salientar que os machos são mais propensos a este quadro, devido a disposição anatômica da uretra longa e estreita.
                        O diagnóstico é baseado no histórico clínico e exame físico do paciente, sendo essencial a realização dos exames complementares como exames radiográficos e ultrassonográficos , além de exames laboratoriais que servirão para verificar a evolução da doença.

DESOBSTRUÇÃO URETRAL

            O procedimento recomendado para desobstrução do lúmen uretral depende do grau de obstrução e da posição anatômica do urólito ou plug, podendo ser feita a: Massagem uretral distal e desalojamento do plug;  esvaziamento da bexiga superdistendida, que pode ser feito através da indução de micção pela suave palpação da bexiga ou cistocentese; Desobstrução do lúmen uretral por propulsão hídrica com posterior lavagem da vesical e cateterização.
Recomenda-se ainda o procedimento cirúrgico quando nenhum dos protocolos médicos clínicos são eficazes para alivio da obstrução, principalmente quando associado a infecção urinária persistente ou quando as reincidivas do quadro levam ao comprometimento da função renal e danos anatômicos como estenose de uretra. É importante que se faça, independente do procedimento desobstrutivo adotado, uma investigação das causas dessa obstrução.

PROCEDIMENTO CIRÚRGICO

·         Uretrostomia perineal

            É um método cirúrgico de desvio urinário que consiste na remoção do pênis do paciente com o intuito de criar um novo orifício com uma abertura maior entre a uretra pélvica e a pele na região perineal, para realização desse procedimento é necessário que seja feito a castração do animal. Quando esse procedimento é indicado e realizado adequadamente, é benéfico para o paciente e gera poucas complicações, no entanto não se pode descartar a maior facilidade de infecção bacteriana do trato inferior. Em casos de complicações cirúrgicas é comum observar estenose uretral, incontinência fecal ou urinária, hemorragias, extravasamento de urina e deiscência de sutura.

·         Uretrostomia pré-púbica

            A uretrostomia pré-púbica é uma técnica de desvio urinário permanente onde uretra é desviada para a região abdominal ventrocaudal. Esse procedimento é indicado em casos de estenose uretral, que se desenvolve pela formação de tecido de cicatricial excessivo que acontece em decorrência de uretrostomia perineal mal sucedida, ou em casos em que a falta de pele na região perineal impede a realização da uretrostomia perineal.
            As infecções bacterinas tornam-se mais freqüentes em animais que realizaram a uretrostomia pré-púbica quando comparados com animais que realizaram a uretrostomia perineal. Isso ocorre devido à uma maior redução no comprimento da uretra e aumento do seu diâmetro o que também pode levar a uma incontinência urinária, entretanto, nesses casos o risco de estenose é mínimo, já que nessa região o diâmetro da uretra é três a quatro vezes maior que na região perineal. A dermatite amoniacal podem ser diminuída caso durante o procedimento cirúrgico tenha-se o cuidado de evitar tensão tecidual no orifício uretral e a justaposição da mucosa uretral à margem da pele.
Obs: Não se deve realizar nenhum procedimento cirúrgico em gatos urêmicos, sendo indicado a fluidoterapia pré-operatória e a correção dos desequilíbrios eletrolíticos e ácido-básicos.



PREVENÇÃO
·         Mudar a dieta do animal, procurando fornecer ração enlatada ou úmida, que tem um maior teor de água;
·         Fornecer água fresca em todas as ocasiões;
·         Promover diariamente a higiene da caixa de defecação/micção;
·         Evitar a obesidade, mediante a limitação da ingestão de calorias;
·         Monitorar paciente através de exames físicos e laboratoriais.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

FLUTD:O ABC do Felino Obstruído


Sabemos que a doença do trato urinário inferior dos felinos possui várias etiologias,mas o quadro emergencial é bem característico e comum.
Quando nos deparamos com um felino obstruído,muitas vezes pensamos logo em anestesiá-lo e sondá-lo o quanto antes.Esquecemos que o mesmo pode estar a dias sem urinar,com um grande desequilíbrio eletrolítico,alta desidratação,com uma insuficiência renal aguda e o pior,prestes a um colapso cardíaco devido a hipercalemia.
Entretanto,a primeira lembrança deve ser o ABC de emergência:"A" de ar(via aérea patente),"B"(boa respiração) e "C'(circulação).Rapidamente os parâmetros vitais devem ser verificados como a coloração das mucosas,a frequência cardio-respiratória e pulso.O animal deve receber oxigênio direto via máscara,tenda com um colar-elizabetano ou em uma câmara.
A fluidoterapia deve ser instituída prontamente,indica-se normalmente a solução fisiólogica ou ringer-lactato para a ressuscitação,aumentando a perfusão renal.O ideal é que o paciente seja acompanhado por eletrocardiógrafo e aferição de pressão central,evitando assim uma sobrecarga de fluido e íons.
O próximo procedimento, que é de suma importância,consiste na cistocentese,que deve ser feita antes de qualquer manobra de desobstrução uretral.O método é simples e dificilmente acarreta complicações,em vista que a bexiga nesses casos é facilmente palpável.Somente com a retirada desta urina represada na vesícula e com a soroterapia bem assistida,podemos salvar a vida de um felino obstruído,por que assim damos condições de os rins voltarem a "funcionar",diminuindo os danos da azotemia pós-renal outrora instalada.
Concluindo-se esta primeira etapa emergencial,podemos preparar a sondagem vesical.Para isso nosso paciente deve estar sedado ou anestesiado superficialmente,nunca deve-se tentar esse procedimento "a força",somente com contensão física,jamais!Pois a chance de perfuração e laceração uretral e peniana é grande.O proporfol é muito bem recomendado,mas pode-se utilizar anestésicos voláteis e dissociativos em doses mínimas.
O processo deve ser o mais asséptico possível,lavando-se previamente a região com soluções degermantes e usando-se luvas estéreis,diminuindo-se o risco de infecções urinárias iatrogênicas.O procedimento deve ser feito com cautela e paciência,não é necessário usar de força.Uma massagem na uretra peniana é importante,a maioria das obstruções ocorrem nessa área,podendo assim facilitar o desalojamento de tampões.Com um gel lubrificante a base de água,introduz-se a sonda gradativamente,o pênis deve ser extendido em direção caudal para que fique paralelo ao eixo da coluna vertebral,para assim diminuir a curvatura normal da uretra felina.Sentindo-se resistência,injetamos solução salina para a remoção de microcálculos e/ou plugs.
Na maioria dos casos,a sonda deve ser fixada.Dependendo do quadro de estrangúria,ela pode permanecer por até 48 horas.Durante este período a bexiga deve ser" lavada" com solução salina.É necessário que no período de pós-obstrução a fluidoterapia seja continuada ,com o cuidado de acrescentar o cloreto de potássio às soluções,combatendo à hipocalemia pós-obstrutiva.
Nos casos em que a sondagem não logrou éxito,a cistocentese pode ser repetida até duas vezes por dia,por no máximo 3 dias,até que que a manobra definitiva, cirúrgica ou não,possa ser realizada.
O controle da dor é fundamental,o Tramadol é muito bem utilizado.Cuidado com os anti-inflamatórios não esteróides,é muito perigoso usá-los em gatos obstruídos devido à debilidade da função renal.O ideal que se espere alguns dias para entrar com um protocolo à base de DAINES,caso necessário.Corticóides como a prednisona ,podem ajudar em casos de extrema inflamação uretral e estenose,entretando também podem piorar o quadro de disfunção renal e predispor o animal à infecções urinárias oportunistas,um gato enquanto sondado não pode receber corticóide.
Os antibióticos foram muito usados antigamente,mas atualmente sabemos que apenas 2% dos casos de FLUTD são devidos à infecções,comumente a urina é asséptica.A hematúria é devido a inflamação e a vasodilatação na mucosa da bexiga e não a processo infeccioso.Se o processo de sondagem foi com todos os cuidados de higiene ,não há motivos para a antibioticoterapia.Se houverem dúvidas em relação a isso,o recomendado é iniciar o fármaco depois da retirada da sonda,podendo-se basear em um resultado de cultura urinária.
Sabemos que todos nós poderemos ter vivências diferenciadas,com protocolos distintos e opiniões diversas.Mesmo não seguindo-se os guias(guideliness)recomendados pelos inúmeros estudos podemos ainda salvar vidas,porém,se os seguimos salvaremos muito mais!
O importante é conhecer também a multifatorialidade desta síndrome,sabermos as etiologias possíveis e investigar cada caso,trabalhando com a anamnese,exame clínico,laboratoriais e de imagens.