segunda-feira, 14 de julho de 2014

Corpo Estranho Linear

Reginaldo Pereira

" Os opostos se distanciam um do outro, não por linha reta, mas em um círculo e, por isso, os extremos sempre se tocam e se tornam iguais."  José Pedro Andreet

   A grande seletividade nutricional dos gatos e sua cuidadosa mastigação tornam esses animais menos predispostos a ingestão de corpo estranho. No entanto, a ingestão de corpo estranho linear, que se classificam como pedaços de barbante, linhas de costura, pano e fio dental, são mais comumente visto nessa espécie podendo ser classificado como um distúrbio comportamental.


Como se desenvolve?


   A ingestão de corpo estranho linear acontece mais facilmente em gatos do que em cachorros, pois a medida que eles mastigam ou brincam com pedaços de lã, fio ou qualquer outro corpo estranho linear, as papilas presentes na língua dificultam a expulsão do material, portanto acabam engolindo-o. É comum que nos primeiros dias uma parte do objeto fique preso na base da língua ou no piloro e o restante se desloque para o interior do intestino. A medida que as ondas peristálticas se acentuam o objeto tenta avançar no trato gastrointestinal e pode acabar causando obstrução parcial ou total, laceração da mucosa gastrointestinal com posterior peritonite e intussucepção.


Sinais clínicos


   Os sinais clínicos dependem da localização do tempo e da integridade vascular do segmento envolvido, no entanto sinais como anorexia, disfagia, odinofagia, regurgitação, dispnéia, vômitos, inquietação, letargia são os mais comuns, podendo , ainda,ter o risco de ruptura gastrointestinal, peritonite e morte.


Diagnóstico


   A anamnese, os sinais clínicos e o exame físico bem apurado podem levar a um bom diagnóstico, principalmente em casos que o corpo estranho seja palpável, no entanto estes devem ser associados aos exames de imagem do trato gatrointestinal, como radiografia, ultra-sonografia e endoscopia, que permitem uma maior precisão, já que muitas vezes determinam o local, a causa da lesão e a gravidade do processo. No exame radiográfico contrastado e na ultrassonografia pode-se ver o intenso pregueamento intestinal, com um aspecto de “colar- de- pérolas” na imagem, o que é patognomônico.


Tratamento


   O tratamento varia de acordo com o estado do animal, podendo ser conservador em casos recentes de ingestão em que o corpo estranho ainda esteja preso na base da língua, sendo nesses casos indicado o corte do objeto e monitoramento para certificar-se da sua passagem pelo intestino sem maiores dificuldades. É importante salientar que não é recomendado puxar o corpo- estranho linear, pois a chance de laceração e lesão gastrointestinal é grande. A retirada deste através da endoscopia também é uma alternativa. O procedimento cirúrgico, como gastrotomia e ou enterotomia é indicado caso não seja observado melhora dos sinais clínicos. Casos que são diagnosticado um distúrbio comportamental é necessário além do procedimento cirúrgico mudanças nos hábitos alimentares, comportamentais e até mesmo uso de medicamentos.


Prognóstico


   O prognóstico depende do conteúdo ingerido e do grau de acometimento do animal, podendo ser classificado como bom, caso não haja peritonite séptica grave ou se não houver necessidade de uma extração intestinal maciça, sendo estes casos mais relatados em gatos que em cães.


domingo, 22 de junho de 2014

Gengivite- estomatite Felina



   Há vários tipos de afecções orais em gatos, dentre elas, a gengivite-estomatite crônica é uma das mais presentes na clínica de felinos, além da reabsorção odontoclástica. É uma doença que acomete uma boa parte da população felina doméstica, trazendo grandes transtornos à saúde destes animais.

   O gato acometido apresenta um grande desconforto e dor ao abrir a boca, muitas vezes deixa de se alimentar e reluta até em ingerir líquidos. Pode haver sialorréia e sangramento oral espontâneo com um aumento de linfonodos submandibulares. Clinicamente, no exame intra-oral, pode-se perceber uma intensa proliferação de tecido inflamatório, principalmente nas regiões mais posteriores da boca nos chamados arcos glossopalatinos, o que pode acompanhar uma secreção purulenta e severa halitose.

   Vários agentes etiológicos são incriminados, principalmente vírus, como o Calicivírus Felino e o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), além de bactérias da própria microflora oral do gato. Fatores genéticos também são investigados, determinadas raças parecem ser mais predispostas, como os siameses e persas. Entretanto, fatores imunológicos individuais parecem ser mais determinantes no desenvolvimento do quadro. Já há comprovação de que nos gatos acometidos há uma alteração no nível de imunoglobulinas salivares em comparação a gatos sadios. Os animais com gengivite-estomatite apresentam um nível salivar de IgA em menor quantidade do que os que não apresentam a doença. Além de que há um aumento da expressão de Interleucinas (IL-6 e IL-4) na mucosa dos gatos enfermos. Entretanto, não se sabe se essas alterações se relacionam com a causa ou seria uma consequência da enfermidade.

  O tratamento mais utilizado atualmente é a imunossupressão com corticosteróides, pricipalmente a prednisolona, podendo-se associar com antibióticos. Recomenda-se também um tratamento periodontal criterioso. No entanto, a terapia muitas vezes é de resposta parcial, com resultados limitantes, aonde na maior parte dos quadros é necessário um longo tempo de administração, aumentando o risco de efeitos indesejáveis da medicação. A exodontia, ou seja, a extração de todos ou a maioria dos dentes, ainda é a mais recomendada forma de tratamento, apesar da radicalidade aparente, a retirada dos dentes leva a uma diminuição da antigenicidade oral, o que diminui a resposta inflamatória local na maioria dos casos.

   Assim, ainda há um longo caminho de estudos e pesquisas a fim de elucidarmos a etiologia e patogênese da Gengivite-Estomatite Crônica Felina, até chegarmos a um tratamento mais eficaz e conservador.

domingo, 14 de abril de 2013

O Gato e a Síndrome de Pandora


   A Caixa de Pandora, de acordo com a mitologia grega, era um artefato, na verdade um jarro, que continha todos os males do mundo. A mesma foi confiada à Pandora, por seu pai, Zeus, com uma condição de jamais abrí-la. Numa crise de curiosidade, Pandora desobedeceu e ao abrir a Caixa libertou todos os malogros existentes, como ódio, inveja, raiva e desamor. Mas o que os nossos felinos têm a ver com essa história?

   Longe de os gatos representarem os males do mundo,  pois sabemos o quanto nos fazem bem. Na realidade essa Síndrome é uma analogia a constelação de sinais e distúrbios do gato que sofre de Doença do Trato Urinário Inferior, com a Caixa, enigmática, que parecia esconder todos os malogros possíveis.

   Gatos acometidos pela Doença do Trato Urinário Inferior podem também apresentar sinais de comorbidades, sendo comuns: Dermatites psicogênicas, distúrbios neurológicos, endócrinos e comportamentais. Acredita-se que assim, estes animais podem sofrer de um “mal” muito mais amplo e pouco compreendido, ou seja, a Síndrome de Pandora.

   Sabe-se realmente, que  há fatores comuns que causam ou predispõem os gatos a estas enfermidades; Como a obesidade, o sedentarismo e a super-população. Animais que convivem em situações de estresse constante, em atrito com outros indivíduos ,ambientes pequenos, pouca atividade física, são condições predisponentes a estas morbidades, que muitas vezes vêm associadas.

   Assim como o mito de Pandora, em que a Esperança permaneceu no fundo da Caixa, há também bonança para estes pacientes que sofrem destes males. A modificação  multimodal do ambiente é fundamental para a recuperação destes animais. O enriquecimento do local aonde vivem podem resolver a quase cem por cento a sintomatologia, mesmo sem o uso de fármacos. Prover o animal de esconderijos, brinquedos, jogos e estímulos, favorece a diminuição de estresse, protegendo-os do efeito “colateral” do Sistema Nervoso Simpático.

   É importante que o clínico veterinário e o proprietário entendam que  a Cistite no paciente felino é multifatorial. Com uma visão” holística”, poderemos detectar os fatores desencadeantes e consequentemente tratar melhor nossos pacientes.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hiperglicemia em Gatos

    A hiperglicemia  é uma alteração comum na clínica de felinos.Sabe-se que eventos estressantes associados a procedimentos clínicos,como coleta de exames,internamentos e consultas,tornam o felino hiperglicêmico momentaneamente.A liberação de noradrenalina e ativação do sistema nervoso simpático podem até mesmo proporcionar uma glicosúria.Devendo assim,o clínico ficar alerta para não cometer erros no diagnóstico e tratamento do paciente.
       O metabolismo do felino o diferencia totalmente dos outros animais domésticos.Gatos são carnívoros verdadeiros,e assim,não conseguem metabolizar com habilidade a glicose.Possuem uma atividade mínima da enzima hepática chamada Glicoquinase,que é responsável pela fosforilação da glicose no fígado.Além disso têm uma atividade mínima da Glicogênio-sintetase,portanto não conseguem converter perfeitamente a glicose em glicogênio,sendo mais susceptíveis  à hiperglicemia,possuindo assim,uma dificuldade em controlar a mesma.
       Interessantemente,gatos anoréxicos geralmente também estão em hiperglicemia.Fatores inflamatórios,como interleucinas,citocinas,fator de necrose tumoral,inibem a ação da insulina.Portanto,é muito comum em gatos hospitalizados,quadros de hiperglicemia.Embora este evento seja comum também em cães e   em humanos,acredita-se que em felinos ocorra muito mais.
       Alguns importantes estudos já foram publicados relatando a prevalência e a significância da hiperglicemia em gatos hospitalizados.Em um trabalho mais recente,Ray et al(2009),relatou  que em um grupo de 182 gatos internados devido a causas variadas,64,8% encontravam-se em hiperglicemia,e que os mesmos tiveram um período de hospitalização muito maior,em comparação aos normoglicêmicos.Dentre os óbitos,66,7% também eram hiperglicêmicos,o que demonstra a relevância do estado glicêmico no prognóstico do felino enfermo.Percebeu-se também que 93,7% dos gatos em estado febril estavam hiperglicêmicos,o que é justificado pela interferência dos mediadores inflamatórios no controle glicêmico.
           O que o clínico veterinário deve saber,diante da comum hiperglicemia no gato,é que NÃO se deve administrar fluidos ricos em glicose no paciente felino,principalmente em estados anoréxicos e críticos.O que menos o felino precisa neste momento é de glicose,já que não têm as condições necessárias para "lidar" com esta.A pronta e assistida hidratação,associada à alimentação enteral é o recomendado para essas situações.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Uso do Meloxican em Felinos com Doenças Articulares.






          As Doenças Articulares Degenerativas(DAD's) são quase sempre subdiagnosticadas em gatos.Osteoartrites de articulações apendiculares e degenerações de discos intervertebrais são muito mais comuns em felinos do que se diagnosticam no dia-a-dia da clínica.Um estudo retrospectivo com 100 gatos com mais de 12 anos de idade(com a média de 15 anos) foi demonstrado que  em 90% destes, haviam sinais radiográficos de DAD,principalmente osteoartrite(HARDIE et al,2002).Em outro trabalho,foi encontrado evidências de DAD em 67% de felinos necropsiados com média de idade de 10,5 anos(READ et al,1968).Em artigo mais recente(LASCELLES et al, 2010),foi evidenciado sinais radiográfico de DAD em pelo menos uma articulação,em  91% dos gatos de um grupo com a faxa etária de 6 meses a 20 anos.
                    Acredita-se que o estilo de vida e comportamento do felino,dificultem o diagnóstico da doença articular degenerativa,pois é uma espécie que "esconde" mais os sinais,comparativamente com o cão.Entretanto,determinadas mudanças podem ser notadas pelo proprietário e repassadas ao clínico: dificuldade ou relutância em pular e subir móveis,claudicação,diminuição do "grooming",dor à manipulação,diminuição da defecação,hipoanorexia,são sinais que podem ser observados.
                   Estas condições determinam um impacto considerável na vida do felino geriátrico,assim um controle dessas alterações,principalmente o controle  a longo prazo da dor ,é muito importante para a melhora substancial da qualidade de vida do nosso paciente.Porém,o uso de antiinflamatórios,principalmente os não-esteroidais(DAINES),devem ser instituído com extrema cautela em gatos mais idosos,pois geralmente os problemas articulares coexistem com as disfunções renais,comuns nos felinos desta idade.
                   O meloxican têm sido utilizado em diversas pesquisas para o tratamento a longo prazo da DAD,com a prescrição de doses mínimas,durante longos períodos,mesmo em felinos nefropatas.Um estudo bem atual e interesssante(GOWAN et al ,2011),utilizou cerca de 214 gatos,com mais de 7 anos,com pelo menos duas das seguintes evidências de DAD: Diminuição da habilidade em pular; Achados físicos,como dor,crepitação ou efusão articular e/ou achados radiográficos sugestivos. Foram divididos em quatro grupos: Animais com insuficiência renal em tratamento com meloxican,animais sem insuficiência renal em tratamento com meloxican e dois grupos controles,tanto de nefropatas como normais,sem tratamento com meloxican.A dose utilizada nos gatos tratados foi de 0,02mg/kg SID,por mais de 6 meses.
                       Os proprietários foram educados a dar o medicamento sempre com alimento ou após refeição,e não continuar o tratamento em casos de vômitos,diarréia e desidratação.Todos os gatos foram examinados e acompanhados periodicamente através de avaliação física,escore corporal e hidratação;perfil bioquímico sérico e urinálise,com estadiamento pela creatinina sérica e densidade urinária.Os resultados foram bastante interessantes,não sendo detectado nenhum efeito deletério do meloxican nestes animais,mesmo nos doentes renais.Até mesmo a média da creatinina sérica no grupo de nefropatas tratados com o fármaco ,foi menor do que a média do grupo dos nefropatas que não receberam o medicamento. 
                           Há duas hipóteses para o efeito benéfico do meloxican nestes casos: primeiramente a excreção predominantemente fecal do mesmo(cerca de 80%) e a segunda,que acredita-se que a inflamação crônica do interstício renal pode ser reduzida com o seu uso,mas que precisa de maiores estudos para a comprovação.
                     Finalmente,a prescrição criteriosa do meloxican,a longo prazo,para o controle das dores e doenças degenerativas articulares dos felinos,demonstra-se ser segura,desde que o animal esteja normohidratado,normotenso e com comorbidades monitoradas.

domingo, 1 de abril de 2012

FIV e FeLV: O que os proprietários devem saber.




Tão quão importante o diagnóstico das retroviroses felinas(FIV e FeLV) , é também o esclarecimento e a conscientização dos proprietários em relação à transmissão, epidemiologia e cuidados com o paciente infectado.
As duas enfermidades possuem algumas características semelhantes, sendo causadas por retrovírus: A FeLV(Leucemia Felina) é por um Retrovírus Gama com vários subtipos e a FIV(Imunodeficiência ou AIDS Felina) é causada por um Lentivírus. Ambos são transmitidos por contato direto, como lambeduras e mordidas, mas também através da amamentação, por via placentária, tranfusões sanguíneas e muito dificilmente pelo coito(FIV).
São doenças comuns em locais com muitos gatos aglomerados, aonde há o contato direto próximo e frequente entre os indivíduos. Ambientes onde há um fluxo de entrada e saída constante de animais também favorecem a proliferação dos vírus.
A FIV e a FeLV predispõem aos gatos acometidos várias doenças e quadros mórbidos, diminuindo bastante a espectativa de vida. Ambas podem causar imunodeficiências e surgimento de neoplasias malignas nestes animais. Estes retrovírus destroem as células de defesa do felino, proporcionando infecções secundárias, como distúrbios intestinais, problemas neurológicos, anemias profundas, infecções na pele, micoses, gengivites, periodontites, otites e falência orgânica mais tardiamente. Eles interferem na replicação das células do gato, predispondo o animal infectado à formação de tumores em qualquer região ou sistema orgânico, principalmente ao surgimento de Linfomas.
O modo de como o gato infectado irá apresentar a doença dependerá da fase da vida em que acontece a contaminação. Pacientes que se infectam quando filhotes ou jovens tendem a desenvolver a enfermidade de uma forma mais grave ou destrutiva.
O diagnóstico precoce é importante principalmente para impedir a proliferação da doença, mas como também  dar um suporte ao felino acometido. Há exames rápidos para a detecção de animais positivos como o sorológico(ELISA), que é o teste inicial a ser realizado.
Quando ou quais gatos deverão ser testados?
Gatos recém adquiridos, principalmente vindos da rua, devem ser testados antes de entrarem no ambiente. Filhotes, a partir de 3 meses de idade, ou antes da vacinação. Doadores de sangue. Animais que têm acesso à rua. Todo e qualquer felino doente e gatos que tiveram contato com soropositivos.
Como é o teste rápido?
O teste é realizado de forma muito simples: Com poucas gotas de sangue e em 10 minutos, temos o resultado. O teste é duplo, em um mesmo exame seu felino é testado para os dois vírus.
O teste FIV e FeLV é de resultado 100% seguro?
Não, nenhum teste é de sensibilidade 100%. Podem ocorrer falsos-positivos e falsos-negativos por problemas na coleta e pela fase da doença no animal, como por exemplo. É muito importante retestar o animal em casos duvidosos com 30 a 60 dias, e é necessário salientar que NEM TODO ANIMAL POSITIVO ESTÁ DOENTE, alguns casos o felino consegue debelar a infecção, ficando livre da doença. Pode-se lançar mão a outros tipos de exames, conjuntamente com os sorológicos, como os testes de PCR RNA-viral ou DNA-viral(Pró-Vírus), e imunoflorescência, ajudando a identificar animais infectantes e não-infectantes.
A prevenção é de fundamental importância:
Existe vacina somente contra FeLV aqui no Brasil. Gatos de grupos de riscos devem ser vacinados, como os que vivem semi-domiciliados e de ambientes com vários outros indivíduos. Não recomenda-se vacinar animais que vivem isolados em apartamentos, sem contato com outros gatos, não é necessário nestes casos. A castração precoce pode diminuir o risco de infecção visto que dificulta o comportamento de risco do indivíduo em sair e brigar com outros gatos. Deve-se evitar, também, a entrada de novos animais, principalmente não-testados e de origem desconhecida. Em casos positivos recomenda-se separar o felino doente, evitando que este saia ou entre em contato com outro gato.
O tratamento:
É praticamente de suporte, visto que os anti-virais humanos recomendados são de difícil acesso. Uma excelente alimentação, cuidados higiênicos, profilaxia dentária, vacinação, vermifugação em dia e claro acompanhamento veterinário,são fundamentais. Devido à natureza das duas doenças, um gato com FIV geralmente vive mais do que um com FeLV. Animais com o vírus da Leucemia Felina tendem a desenvolver quadros mais graves precocemente.

Finalmente,as duas doenças NÃO ACOMETEM O SER-HUMANO. AIDS Felina e a Leucemia Felina NÃO é transmitida ao homem.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Foliculite Mural Degenerativa Mucinótica


A Foliculite Mural Idiopática Felina ou Foliculite Mural Degenerativa Mucinótica é uma causa rara de dermatite esfoliativa felina.Já é bem conhecida na Europa,entretanto no Brasil ainda é pouco diagnosticada.
Acredita-se que a enfermidade seja uma síndrome em resposta a uma doença sistêmica,principalmente a neoplasias.É originada pela destruição dos folículos pilosos por células inflamatórias,incluindo linfócitos e neutrófilos,compreendendo primariamente a bainha externa do pêlo acima do istmo folicular.A mucina é produzida pelos queratinócitos quando estimulados pela infiltração dos linfócitos no folículo.
O felino enfermo é na maioria das vezes adulto a idoso,entre 7 a 12 anos,apresentando uma quadro rápido de alopecia,eritema,crostas e descamação,principalmente facial,mas que logo se distribue para os membros,pescoço e dorso.O aspecto facial fica característico,com um edema de pálpebras e de espelho nasal.Comumente não há prurido,ou se presente,é discreto.
O diagnóstico diferencial deve incluir as dermatofitoses,hipersensibilidade alimentar e atopia,linfoma epiteliotrópico,pseudopelada e timomas.Culturas fúngicas são importantes para descartar os parasitas.Dieta de eliminação também é fundamental para o diagnóstico e até terapia,já que um caso de Foliculite Mural já foi associado à dieta comercial(J. Declerq,2000).
O histopatológico de pele é essencial para se fechar o diagnóstico.As biópsias dever ser sequênciais,assim podemos diferenciar ou mesmo determinar uma neoplasia,como o linfoma epiteliotrópico.Por suspeitar-se também,que a Foliculite Mural seja uma síndrome paraneoplásica,deve-se investigar minuciosamente o paciente,utilizando-se exames bioquímicos e de imagem,como ultrassonografia e radiografias,descartando como por exemplo,um timoma,que pode causar uma dermatite esfoliativa semelhante.
O estado FIV/FeLV do felino é importante,visto que a associação do quadro com o Vírus da Imunodeficiência Felina piora ainda mais o prognóstico,onde há lesões mais severas nos folículos pilosos.
Ainda não há relato de cura da doença.Tratamentos à base de corticóides e imunossupresores não foram satisfatórios.Em todos os casos reportados os animais vieram a óbito em média de 4 meses após o diagnóstico.Devido a sinais sistêmicos,como apatia,hipertermia,emagrecimento,diarréia,sugere-se uma doença sistêmica associada,ainda não determinada.Nos animais necropsiados,não foram encontrados alterações relevantes para a elucidação da causa.

Finalmente,pela a suspeita de que a Foliculite Mural Degenerativa Mucinótica seja uma síndrome paraneoplásica,advindo-se novos casos confirmados,deverá-se investigar possíveis neoplasias,a fim de obter-se uma luz para a cura do animal.